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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência de alta dos preços da Soja no 2 semestre

15/05/2017 - 8h33

O mercado de soja  para o segundo semestre tem cenário positivos.

Uma Ótima semana !

Charbel Felipe Silva

Tendência de alta dos preços da soja no 2º semestre

Com o mercado já tendo assimilado a safra recorde em 2016/2017 na América do Sul e também a área de plantio recorde nos Estados Unidos em 2017/2018, há poucos espaços para quedas nas cotações futuras da soja. O “mercado climático” nos Estados Unidos, entretanto, pode proporcionar altas pontuais das cotações até a chegada da colheita naquela país, em setembro. No Brasil, o bom ritmo de exportações no primeiro quadrimestre deste ano anula parcialmente a pressão da colheita recorde, acima de 113 milhões de toneladas. Os prêmios seguem positivos nos portos e a demanda global firme devem manter as cotações sustentadas, com viés de alta para o segundo semestre no mercado interno. Enquanto os produtores brasileiros têm reduzido as vendas do grão, a demanda da indústria pela oleaginosa está elevada, já que seus estoques estão baixos.

 

A procura por derivados também está aquecida, cenário que tem impulsionado os preços do farelo e do óleo de soja. Nos últimos sete dias, os valores do farelo de soja registram alta de 1,7%. Para o óleo de soja, o avanço é de fortes 2,3% no mesmo período, a R$ 2.507,88 por tonelada (posto em São Paulo com 12% de ICMS). A retração na venda por parte de produtores se deve à queda na paridade de exportação do grão, que torna as negociações externas menos atrativas. Assim, os produtores brasileiros mostram maior interesse em deixar o grão armazenado para comercializar no segundo semestre do ano, com expectativa de que a janela de exportação da oleaginosa seja maior nesta temporada. Para a soja em grão, as cotações registram alta de 0,8% nos últimos sete dias no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 1,0% no de lotes (negociações entre empresas).

 

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 0,5% nos últimos sete dias, a R$ 64,12 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depoditado no corredor de expotação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 0,2%, cotado a R$ 68,95 por saca de 60 Kg. O enfraquecimento nos preços domésticos esteve atrelado à desvalorização do dólar frente ao Real e ao recuo nos futuros dos Estados Unidos, que refletem em queda no valor FOB estivado e, consequentemente, nos preços regionais. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Maio/2017) da soja em grão acumula queda de 1,0% nos últimos sete dias, a US$ 9,56 por bushel.

 

Para o óleo de soja, o contrato Maio/2017 apresenta recuo de 0,2% no mesmo comparativo, a US$ 711,42 por tonelada. O vencimento Maio/2017 do farelo de soja registra queda de 1% nos últimos sete dias, a US$ 342,93 por tonelada. Na semana passada, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevaram as estimativas de produção do Brasil. A Conab reajustou a produção nacional para 113 milhões de toneladas de soja, 2,6% acima da estimada em abril. Também houve alteração nas exportações, que passaram para 63 milhões de toneladas, aumento de 3,3% em relação ao estimado no relatório anterior. Na mesma linha, o USDA aumentou as projeções da produção brasileira para 111,6 milhões de toneladas (+0,5%) e dos embarques nacionais para 63,6 milhões de toneladas (+2,7%).

 

Na Argentina, a produção foi revisada para 57 milhões de toneladas pelo USDA, 1,8% acima do projetado até abril. O clima segue favorecendo o avanço na colheita da soja nesse país. Segundo a Bolsa de Buenos Aires, até o dia 11 de maio, 66,5% da área semeada com soja havia sido colhida. Em termos mundiais, o USDA indica produção de 348,0 milhões de toneladas de soja na temporada 2016/2017, 0,6% acima do previsto até abril, um recorde. O consumo da China, maior importador global de soja, também deve crescer, estimado a 89 milhões de toneladas de soja. O resultado seria de 140 milhões de toneladas transacionadas mundialmente na temporada 2016/2017. Ainda assim, a oferta deve se sobressair à demanda. Até o final de agosto de 2017, os estoques dos Estados Unidos estão previstos para totalizar 11,8 milhões de toneladas, os maiores desde a temporada 2006/2007.

 

O USDA também divulgou as primeiras estimativas para a safra 2017/2018, com produção mundial projetada a 344,6 milhões de toneladas, 1% menor que a estimada para a temporada 2016/2017. A queda foi projetada mesmo com possível área recorde nos Estados Unidos e Brasil. Nos Estados Unidos, a área a ser semeada deve crescer 7,3%, indo para 35,8 milhões de hectares, um recorde para este país. A produção, entretanto, está estimada em 115,8 milhões de toneladas, 1,2% abaixo do registrado na temporada 2016/2017, uma vez que a expectativa é de menor produtividade. Por enquanto, o plantio segue lento nos Estados Unidos, devido às temperaturas baixas e ao excesso de umidade. Até o dia 7 de maio, 14% da área havia sido semeada, abaixo dos 21% em igual período de 2016 e dos 17% na média dos últimos cinco anos. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.