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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência de alta da soja no curto prazo

21/05/2017 - 15h35

Os mercados ficaram " meio sem rumo " essa semana ,diante do Tsunami da política.Industrias de óleo de soja saíram do mercado na noite de 17 de maio.

Uma Ótima semana !

Charbel Felipe Silva

 

Tendência de alta do preço da soja no curto prazo

A tendência é de alta dos preços da soja no curto prazo no mercado brasileiro, diante da instabilidade do cenário político que gerou uma forte alta do dólar. Após marcar na véspera o terceiro pior pregão da história, perdendo apenas para os episódios registrados durante a maxidesvalorização de 1999, o dólar teve um movimento de correção na sexta-feira (19/05). O pânico da véspera, em função do escândalo envolvendo o presidente Michel Temer e os sócios da JBS, pode ter sido exagerado. Ainda assim, ninguém arrisca dar um palpite sobre o futuro do câmbio no curto prazo. O dólar à vista no balcão caiu 3,98%, fechando a R$ 3,2521. Na semana, a moeda avançou 4,09%. As exportações, que já vinham aquecidas, devem crescer nas próximas semanas, bem como os negócios antecipados para a safra 2017/2018. Enquanto o ambiente político brasileiro se desestabiliza, quem sofre são os tomadores de decisão no dia a dia, que precisam continuar pagando suas contas e avaliando novos investimentos.

 

No mercado de soja, o cenário das últimas semanas deixava os vendedores retraídos, apostando em preços mais elevados. A recente depreciação do Real frente ao dólar, no entanto, elevou com força os preços internos e vendedores passam a mostrar maior interesse em negociar. Caso o dólar fique próximo do patamar observado atualmente, a soja pode seguir se valorizando no mercado brasileiro, mas os custos de produção também tendem a subir. De qualquer forma, as negociações da produção colhida neste primeiro semestre devem ser favorecidas. No início da semana passada, as vendas de soja estiveram enfraquecidas, devido ao acirramento da queda de braço entre compradores e vendedores. A diferença entre a indicação de compra e a indicação de venda esteve entre R$ 3,50 e R$ 4,00 por saca de 60 Kg. Com a alta do dólar, os vendedores ficaram mais ativos, enquanto os compradores se afastaram, optando por aguardar o desenrolar das questões políticas e seus possíveis impactos sobre os negócios.

 

No Paraná, o preço médio da soja passou de R$ 62,82 por saca de 60 Kg na terça-feira (16/05), para R$ 65,72 por saca de 60 Kg. O dólar elevado torna a exportação brasileira mais atrativa, gerando disputa entre compradores domésticos e estrangeiros. Grande parcela das indústrias domésticas vinha trabalhando com estoques curtos do grão, na expectativa de preços menores. Alguns suinocultores e avicultores também estavam comprando lotes pequenos de farelo de soja, para consumo imediato. Segundo o relatório da Associação Brasileira das Indústrias de Óleo e Vegetais (Abiove) divulgado na terça-feira (16/05), a produção de farelo de soja deve ser de 31,1 milhões de toneladas neste ano. Deste total, 15,8 milhões de toneladas devem ser destinadas ao consumo interno, 0,2% abaixo do ano passado e 15,5 milhões de toneladas devem ser exportadas, 9% acima do registrado em 2016, resultando em queda de 16,2% nos estoques finais, que foram estimados em 1,033 milhão de toneladas, os menores desde 2013 (998 mil toneladas).

 

De óleo de soja, a produção deve crescer 2,7% neste ano, a 8,1 milhões de toneladas. Deste total, 6,9 milhões de toneladas devem ser destinadas ao consumo interno, aumento de 5% sobre 2016 e recorde, caso se confirme. As exportações devem crescer 3,4% em relação a 2016, estimadas em 1,3 milhão de toneladas. O estoque final do óleo de soja foi previsto em 306 mil toneladas pela Abiove, 14,1% abaixo do remanescente de 2016. O lado bom para os compradores é que a elevação nos preços do grão pode ser limitada pelo aumento na relação de estoque/consumo final de soja no Brasil, que é o maior dos últimos seis anos na atual temporada (2016/2017). Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto e Paranaguá, apresenta alta de 3,3%, cotado a R$ 71,20 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra alta avanço de 3,3% nos últimos sete dias, fechando a R$ 65,72 por saca de 60 Kg. No mercado regional, as altas tiveram menor intensidade.

 

Segundo a Bolsa de Buenos Aires, na Argentina, as recentes chuvas limitaram o avanço na colheita de soja. Até a quinta-feira (18/05), 75% da área havia sido colhida, 8% acima do verificado até o dia 11 de maio. Segundo o Departamento de Agrucultura dos Estados Unidos (USDA), até o dia 14 de maio, 32% da área destinada à soja nos Estados Unidos havia sido semeada, em linha com a média dos últimos cinco anos, mas 2% abaixo do observado no mesmo período de 2016. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Julho/2017) da soja em grão apresenta queda de 2,2% nos últimos sete dias. Para o farelo de soja, o contrato Julho/20 registra recuo de 2,3% no mesmo comparativo, a US$ 338,96 por tonelada. O contrato de mesmo vencimento do óleo de soja registra recuo de 0,2%, a US$ 715,17 por tonelada. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.