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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência de estabilidade para os preços da soja

28/05/2017 - 20h17

Alta da soja perde força nesse momento.Lembrando da sensibilidade de mudanças nesse mercado ,as vezes " imprevisível "

Uma Ótima semana !]

Charbel Felipe Silva

Tendência de estabilidade para os preços da soja

No mercado doméstico, a tendência é de estabilidade para os preços da soja, com viés de baixa, diante da recente queda acentuada das cotações futuras na Bolsa de Chicago, parcialmente anuladas pelo novo patamar do dólar. O bom desempenho das exportações e os prêmios positivos nos portos brasileiros também devem auxiliar na sustentação dos preços domésticos. A firme demanda por farelo e óleo de soja, a taxa cambial atrativa aos vendedores brasileiros e o atraso na colheita de soja na Argentina têm motivado novas negociações envolvendo derivados no Brasil. A comercialização de grão, por outro lado, está mais enfraquecida no mercado spot, mas alguns produtores já começam a mostrar interesse em comercializar a safra 2017/2018. A proximidade da intensificação da compra de insumos, visando o cultivo da próxima safra, favorece a efetivação de contratos a termo.

 

No mercado de derivados, a disputa por farelo de soja entre o mercado nacional e o internacional está maior, o que elevou os preços domésticos. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume médio de embarques diários de farelo na parcial deste mês de maio está 3,5% maior que o volume médio de abril/2017. Importadores foram atraídos para o Brasil, devido à menor oferta na Argentina (maior exportadora mundial de farelo e óleo de soja), uma vez que o excesso de umidade tem dificultado a colheita e afastado os vendedores do mercado. Do lado da demanda doméstica, indústrias de aves e suínos, que estavam com baixos estoques, têm sido os principais compradores de farelo de soja. A procura por óleo de soja também está aquecida, especialmente pelo setor de biodiesel, enquanto a oferta está reduzida.

 

Em São Paulo, o consumo das indústrias tem sido abastecido pelo óleo de soja do Centro-Oeste (Goiás e Mato Grosso, especialmente). Quanto ao óleo de soja produzido no Sul, uma parte tem sido destinada à exportação e outra, para a produção de biodiesel. Diante do aumento na demanda por derivados de soja e estimativas indicando queda nos estoques de passagem destes produtos, grande parcela das indústrias se retraiu das vendas, à espera de preços mais atrativos nas próximas semanas. Nos últimos sete dias, os valores do farelo de soja registram alta de 3,2%. Para o óleo de soja, a alta é de 2,1% no período, indo para R$ 2.556,57 por tonelada (posto em São Paulo com 12% de ICMS). Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, na Argentina, a colheita da oleaginosa avançou apenas 4% nos últimos sete dias, com 79,6% da área colhida até o dia 24 de maio. A produção segue estimada em 57,5 milhões de toneladas.

 

Quanto aos negócios envolvendo a soja em grão, apenas alguns lotes têm sido negociados no mercado brasileiro, visto que os vendedores estão na expectativa de preços maiores nas próximas semanas, fundamentados na firme demanda por derivados e no dólar mais elevado. Além disso, a paridade de exportação de soja indica média de R$ 73,73 por saca de 60 Kg em agosto, 3% acima da de junho/2017. Com isso, grande disparidade entre as ofertas de compra e venda no mercado brasileiro tem sido observada, resultando em baixa liquidez. Nos últimos sete dias, as cotações da soja registram alta de 1,5% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,6% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Os Indicadores ESALQ/BM&F e CEPEA/ESALQ registram recuo nos últimos sete dias, influenciados pela depreciação do Real frente ao dólar nos dias que se sucederam à forte alta, observada em 18 de maio.

 

Nos últimos sete dias, o Indicador da soja ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 2,2%, cotado a R$ 69,64 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra recuo de 1,7% nos últimos sete dias, a R$ 64,59 por saca de 60 Kg. Ainda há uma boa quantidade da safra 2016/2017 para ser comercializada. Em Mato Grosso, na região de Sorriso, 74% da produção foi vendida, contra 87% no mesmo período de 2016. Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, menos de 50% da temporada foi negociada até a semana passada. No mesmo período de 2016, mais de 60% da safra estava comprometida. Em Mato Grosso, até o início de maio, 69% da safra foi comercializada, abaixo dos 82% em igual período da temporada anterior. A projeção é de que apenas 1,7% da safra 2017/2018 tenha sido negociada, abaixo dos 8,9% no mesmo período de 2016.

 

Nos Estados Unidos, o semeio segue a todo vapor, fator que pressionou os futuros norte-americanos. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 53% da área destinada à soja havia sido semeada a té o dia 21 de maio, aumento de 21% em apenas sete dias e em linha com a média dos últimos cinco anos. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Julho/2017) da soja em grão registra queda de 1,9% nos últimos sete dias, se aproximando dos US$ 9 por bushel. Para o farelo de soja, o contrato Julho/2017 apresenta recuo de 0,9% no mesmo comparativo, a US$ 335,87 por tonelada. O contrato de mesmo vencimento do óleo de soja registra queda de 1,2% nos últimos sete dias, a US$ 706,35 por tonelada. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.