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CHARBEL NEWS

Soja

SOJA :Pressão baixista no Brasil com quedas em Chicago

04/06/2017 - 19h25

A estabilidade do dólar depois " do pânico " da crise do Temer, maior oferta global, pressionaram os preços da soja, na semana que encerra. Tudo indica que os preços deveram continuar calmos nos próximos dias.

Uma Ótima semana !

Charbel Felipe Silva

Pressão baixista no Brasil com quedas em Chicago

Os preços da soja têm sido pressionados no Brasil com a queda dos futuros em Chicago e cotações se aproximando dos US$ 9 por bushel. O forte ritmo de exportações brasileiras e os prêmios positivos nos portos anulam parte das quedas externas e podem dar mais sustentação às cotações domésticas ao longo do segundo semestre, a depender da evolução do clima nos Estados Unidos. Os preços domésticos da soja registram forte queda nos últimos dias, voltando aos patamares de abril, quando chegaram aos menores níveis desde julho/2010, em termos reais. Depois da recuperação em parte do mês de maio, que esteve atrelada à firme demanda e à depreciação do Real frente ao dólar, agora, as cotações voltaram a ser pressionadas pela maior oferta no Brasil e na Argentina e por condições climáticas favoráveis ao cultivo da oleaginosa nos Estados Unidos.

 

A demanda enfraquecida também pressionou os valores. Além disso, a desaceleração do dólar frente ao Real afastou os compradores do mercado brasileiro, já que a comercialização nos atuais patamares não é atrativa a produtores, que não mostram necessidade de fazer caixa no curto prazo. Os produtores, inclusive, reduziram as vendas da safra 2017/2018, que começou a ser negociada há pouco tempo. Os preços da soja e derivados devem ficar dependentes da taxa cambial Real/dólar nos próximos meses, uma vez que, nos contextos mundial e doméstico, os estoques são abundantes e o clima está relativamente favorável até o momento. Em Mato Grosso, 75% da safra 2016/2017 já foi comercializada, contra 90% no mesmo período do ano passado. Em Mato Grosso do Sul, 53% da safra 2016/2017 já foi negociada, abaixo dos 67% em 2016.

 

Em Goiás, na região de Rio Verde, as negociações se aproximam dos 65% ante 85% na safra passada neste mesmo período. Em Minas Gerais, na região do Triângulo Mineiro, 60% da safra 2016/2017 foi vendida, contra 73% em igual período do ano passado. No Rio Grande do Sul, onde a comercialização costuma ser mais tardia, as vendas se aproximam dos 40%, 5% abaixo do estimado no mesmo período de 2016. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, na Argentina, as condições climáticas vêm favorecendo o avanço da colheita, que alcançou 85,5% da área cultivada até o dia 1º de junho. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, 67% da área estimada para a oleaginosa no país havia sido semeada até o dia 29 de maio, 4% abaixo do mesmo período de 2016, mas ainda na média dos últimos cinco anos, de 68%.

 

Nesse cenário, os preços registram recuo no Brasil. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta queda de 3,5%, cotado a R$ 67,23 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 4,3% nos últimos sete dias, a R$ 61,91 por saca de 60 Kg. Em maio, entretanto, as médias mensais de ambos os Indicadores da soja subiram 4,7% em relação a abril. Nos últimos sete dias, as cotações da soja registram queda de significativos 4,2% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 4,1% no de lotes (negociações entre empresas). Entre abril e maio, porém, os preços subiram 4,5% no mercado de balcão e 5,6% no de lotes. A queda recente nos preços de grão foi limitada pela firme procura por óleo de soja, especialmente pelo setor de biodiesel no Brasil.

 

Nos últimos sete dias, a valorização é de 1,5%, com o produto cotado a R$ 2.593,95 por tonelada (posto em São Paulo com 12% de ICMS). Em maio, a alta foi de 3,2% sobre abril. O aumento na demanda por óleo eleva o processamento do grão que, consequentemente, impulsiona a oferta de farelo de soja. Com isso, os valores do farelo de soja registram queda de 2,8% nos últimos sete dias. Entre abril e maio, a queda acumulada é de 7,7%. Embora os preços estejam em queda, o Brasil segue exportando volumes recordes do grão. Segundo a Secretaria de Comercio Exterior (Secex), os embarques no mês de maio somaram 10,9 milhões de toneladas, 5,1% acima da quantidade de abril e 10,5% maior que em maio/2016, volume recorde para um único mês.

 

No acumulado do ano, foram embarcadas 34,79 milhões de toneladas de soja pelo Brasil, volume 12,9% superior ao registrado no mesmo período de 2016 (30,8 milhões de toneladas). O Brasil enviou 529,6 mil toneladas de óleo de soja nos primeiros cinco meses deste ano, 11% acima do embarcado no mesmo período de 2016. Em maio, entretanto, as vendas externas do óleo de soja caíram 33,2% em relação a abril e 36,7% se comparado a abril/2016, totalizando 112,6 mil toneladas. De farelo de soja, o Brasil exportou 6,21 milhões de toneladas do derivado de janeiro a maio, 9,6% abaixo do observado no mesmo período do ano passado. Especificamente em maio, os embarques de farelo de soja superaram em 22,7% os de abril, mas ainda estiveram 15,5% abaixo do volume exportado em maio/2016, totalizando 1,62 milhão de toneladas. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.