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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência é altista para os preços da soja no Brasil

10/07/2017 - 8h39

A soja encerra a semana em alta , e deve permanecer firme por conta das incertezas na safra americana.

Uma abençoada semana !

Charbel Felipe 

Tendência é altista para preços da soja no Brasil 

Com o mercado climático promovendo reações nas cotações futuras em Chicago, prêmios mais elevados nos portos brasileiros e demanda firmes, a tendência é altista para os preços da soja no mercado brasileiro. As cotações da soja subiram no mercado brasileiro, influenciadas pelas altas internacionais, que atraíram vendedores para novas negociações, favorecendo a liquidez. A elevação internacional, por sua vez, está atrelada às novas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que indicaram área na temporada 2017/2018 abaixo do que era esperado por agentes. Além disso, o USDA sinalizou leve piora na qualidade das lavouras norte-americanas, o que também aumentou os futuros. O relatório sobre área cultivada divulgado pelo USDA no dia 30 de junho apontou área de 36,22 milhões de hectares, 7,3% maior que a do ano passado.

 

De 31 estados produtores, em 24 deles é estimado aumento ou estabilidade na área frente ao ano passado. A área prevista para colheita é de 35,9 milhões de hectares, que se confirmados, serão recordes. Quanto aos estoques norte-americanos, o USDA indica que estão 10,5% acima dos de 2016, somando 26,22 milhões de toneladas em 1º de junho de 2017. Em termos de qualidade das lavouras nos Estados Unidos, até o dia 2 de julho, 2% estavam em condições muito ruins, 7%, em condições ruins, 27%, médias e 64% estavam em condições boas ou excelentes. Na semana anterior, 66% estavam em condições boas ou excelentes. Neste cenário, na Bolsa de Chicago, o contrato Julho/2017 registra alta de 7,1% nos últimos sete dias, cotado a US$ 9,80 por bushel. Para o farelo de soja, o contrato de mesmo vencimento registra avanço de 8,7% no mesmo comparativo, para US$ 352,74 por tonelada.

 

Quanto ao óleo de soja, Julho/2017 apresenta alta de 1,3% nos últimos sete dias, a US$ 725,31 por tonelada. Essas altas expressivas foram repassadas para o mercado interno. Os valores FOB da soja para embarque ainda em julho no Porto de Paranaguá (PR) apresentam elevação média de 5,8% nos últimos sete dias, a US$ 378,48 por tonelada e, para o farelo de soja, o aumento é de 7,7%, para US$ 316,03 por tonelada. Em relação ao óleo de soja, por outro lado, a queda é de 0,9% no mesmo período, a US$ 737,00 por tonelada. O recuo está atrelado à desvalorização do petróleo, o que desestimula a demanda por biodiesel. Assim, as negociações no Porto de Paranaguá apresentam melhora significativa. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta forte alta de 5%, cotado a R$ 72,23 por saca de 60 Kg.

 

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra aumento expressivo de 5,4% no mesmo comparativo, a R$ 66,47 por saca de 60 Kg, retomando o patamar de março/2017. Nos últimos sete dias, as médias dos preços de soja registram alta de 5,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 5,2% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Quanto aos derivados, os preços de farelo de soja apresentam elevação de 5,9% nos últimos sete dias. Em relação ao óleo de soja, as cotações registram aumento de 1% no período (posto em São Paulo, com 12% de ICMS). Com as fortes valorizações do grão e derivados, a preocupação com a armazenagem, o que tende a se agravar com a entrada do milho de 2ª safra, e a proximidade do fim do período de exportações do grão nos portos, os vendedores aproveitaram a oportunidade para negociar uma parcela dos seus estoques, que ainda são considerados elevados para o período.

 

As altas também favoreceram as negociações para exportação da próxima safra 2017/2018, que ainda são incipientes, mas com preços mais atrativos do que no mercado spot. Para a atual temporada, no entanto, a comercialização segue abaixo do observado no mesmo período de 2016. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), 55% da safra havia sido negociada no Paraná até o dia 26 de junho, 20% inferior ao mesmo período do ano passado. Segundo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), em Mato Grosso, a situação é semelhante, com 78,16% da produção comercializada até o final de junho, 12,83% abaixo de 2016. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques brasileiros de soja somaram 9,2 milhões de toneladas em junho, 16,1% abaixo do exportado em maio/2017, mas 18,5% maior que o vendido ao exterior no mesmo mês de 2016.

 

No primeiro semestre de 2017, o Brasil enviou volume recorde de soja aos países estrangeiros, totalizando 44 milhões de toneladas. Quanto ao farelo de soja, entre janeiro e junho, o Brasil exportou 7,61 milhões de toneladas, quantidade 9,9% menor que a do mesmo período do ano passado. Especificamente em junho, os embarques de farelo de soja totalizaram 1,39 milhão de toneladas, 14,6% abaixo do registrado em maio. De óleo de soja, o Brasil enviou aos países estrangeiros 694,56 mil toneladas no primeiro semestre de 2017, o maior volume desde 2012, considerando-se o mesmo período. Apenas entre maio e junho de 2017, os embarques deste derivado cresceram significativos 46,5%. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria