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CHARBEL NEWS

Soja

SOJA : Tendência de preços mais sustentados

24/07/2017 - 9h06

Mercado de soja firme ,mas sempre com muitas variávies na formação dos preços .

Uma Ótima semana !

Charbel Felipe Silva

Tendência de preços mais sustentados para a soja 

A tendência é de preços mais sustentados para a soja no mercado interno, no curto prazo. A queda do dólar tem sido compensada pela sustentação dos futuros em Chicago acima dos US$ 10 por bushel e pelos prêmios positivos nos portos brasileiros. No longo prazo, entretanto, a possibilidade de uma safra similar à do ano passado nos Estados Unidos e de ampliação da área plantada no Brasil em 2017/2018 são fatores que podem impor uma pressão baixista sobre os preços. Os preços de soja e derivados registram queda no mercado brasileiro nos últimos dias, devido à desvalorização do dólar frente ao Real e à cautela de compradores nas aquisições. Esses agentes também têm expectativas de estoques finais elevados em dezembro/2017 e de maior área semeada na temporada 2017/2018, uma vez que alguns produtores mostram interesse em migrar parte da área de milho da safra de verão para a soja.

 

Embora os preços de soja tenham caído, quando consideradas as médias mensais dos Indicadores CEPEA/ESALQ Paraná e ESALQ/BM&F Paranaguá, na parcial de julho, ainda são as maiores desde fevereiro e janeiro deste ano, em termos reais (deflacionados pelo IGP-DI junho/2017), respectivamente. As indústrias sinalizam ter estoques de farelo e óleo de soja, resultando em menor ritmo de processamento. Com isso, as compras de soja em grão têm acontecido para consumo imediato, visto que uma parte das indústrias deve parar o processamento para manutenção das máquinas a partir de setembro. Com a maior oferta de farelo e óleo de soja, os compradores estão adquirindo os produtos com facilidade. Assim, as aquisições de farelo de soja de grande parte de avicultores e suinocultores têm acontecido para consumo de curto prazo, de cerca de uma semana.

 

Os preços do farelo de soja também registram queda devido à baixa demanda externa, que reduz os valores dos prêmios de exportação. Esses valores, por sua vez, são os mais baixos desde 2015, quando os prêmios estavam nos menores patamares desde 2004, se considerados os meses de julho de cada ano. As cotações de farelo de soja registram queda de 3,2% nos últimos sete dias. Os valores de óleo de soja posto em São Paulo, com 12% de ICMS, apresentam queda de 3,1% nos últimos sete dias, cotado a R$ 2.586,23 por tonelada. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 0,3% nos últimos sete dias, a R$ 66,06 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,0%, cotado a R$ 71,86 por saca de 60 Kg.

 

A elevação nos valores de fretes rodoviários, especialmente com destino aos portos, limitou a queda nos preços de soja nos últimos dias. O aumento dos fretes se deve à maior concorrência com o transporte de milho. Apesar das recentes quedas, comparando-se a média parcial de julho com a do mês anterior, o Indicador CEPEA/ESALQ Paraná registra alta significativa de 4,5% e o ESALQ/BM&F Paranaguá, 5,1%. Neste cenário, parte dos produtores aproveitou para liberar espaço nos armazéns e fixar preços da safra 2017/2018. Esse patamar elevado dos preços brasileiros se deve às incertezas quanto à produtividade norte-americana. O produto dos Estados Unidos pode sofrer redução na qualidade devido ao calor intenso e à baixa umidade nas principais áreas produtoras. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 61% das lavouras de soja estão em condições entre boas e excelentes, abaixo dos 71% no mesmo período da temporada passada.

 

A área semeada com soja nos Estados Unidos foi recorde nesta temporada 2017/2018, mas a estimativa é de uma produção menor que a safra passada, devido à queda na produtividade. Ainda assim, ao final da temporada 2017/2018, a relação estoque/consumo final nos Estados Unidos deve ser a maior desde 2006/2007. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (agosto/2017) da soja em grão registra alta de 3,9% nos últimos sete dias, sustentado acima dos US$ 10 por bushel. Para o farelo de soja, o contrato Agosto/2017 registra aumento significativo de 4,1% no mesmo comparativo, cotado a US$ 364,31 por tonelada. Para o óleo de soja, o contrato de mesmo vencimento apresenta alta de 2,7% nos últimos sete dias, cotado a US$ 748,90 por tonelada. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.