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CHARBEL NEWS

Soja

SOJA : Preços baixam por conta do cenário internacional

07/08/2017 - 8h59

A safra americana baixou os preços , na semana que passou.Essa "gangora " é normal nas bolsas.

Uma Ótima semana !

Charbel Felipe Silva 

Tendência baixista dos preços da soja e derivados

Com a sequência de recuos dos futuros em Chicago e a retração do dólar para próximo do patamar de R$ 3,10, a pressão baixista voltou sobre os preços internos da soja e derivados (farelo e óleo) no mercado brasileiro. O ritmo intenso das exportações brasileiras e os prêmios positivos nos portos brasileiros amenizam a pressão baixista sobre os preços. As cotações de soja e de farelo de soja registram quedas nos últimos sete dias. Este cenário se deve às expectativas de safra cheia nos Estados Unidos, ao enfraquecimento na demanda externa e aos compradores domésticos adquirindo apenas lotes da mão para a boca. Além disso, a queda do dólar em relação ao Real voltou a elevar a disparidade entre compradores e vendedores, reduzindo a liquidez interna. As cotações de óleo de soja, por sua vez, registram baixa mais modesta, devido ao bom ritmo de embarques e às expectativas de demanda ainda maior do setor de biodiesel no Brasil.

 

Se a procura por óleo se mantiver firme ou se elevar, como é esperado, o grande desafio das indústrias será a venda de farelo de soja, visto que os compradores domésticos estão adquirindo lotes para consumo imediato e a demanda externa por farelo está enfraquecida, devido aos prêmios mais atrativos na Argentina, principal país exportador de farelo e óleo de soja. Nos Estados Unidos, embora a maior umidade tenha elevado a qualidade das lavouras e influenciado players a realizarem lucros, é importante analisar que agosto é um mês decisivo para a produtividade da safra norte-americana, cenário que ainda tem deixado produtores brasileiros receosos quanto às comercializações, visto que esperam melhor oportunidade para vender. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda expressiva de 4,2% nos últimos sete dias, a R$ 69,20 por saca de 60 Kg.

 

A paridade de exportação de soja, entretanto, indica preço médio de R$ 70,56 por saca de 60 Kg para negociações no spot. No entanto, para setembro, ao considerar o dólar futuro daquele mês na B3, de R$ 3,13, a paridade de exportação indica valores mais atrativos aos vendedores, de R$ 71,59 por saca de 60 Kg, mantendo o produtor retraído nas vendas que envolvem grandes lotes. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo significativo de 5,0%, cotado a R$ 62,79 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram queda de 3,9% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 2,9% no de lotes (negociações entre empresas). Para o farelo de soja, a desvalorização nos últimos sete dias é de 2,2%. Os valores de óleo de soja, por sua vez, registram recuo de 0,4% no mesmo período, a R$ 2.598,95 por tonelada (posto em São Paulo com 12% de ICMS).

 

Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Agosto/2017) da soja em grão registra forte queda de 4,4% nos últimos sete dias, indo para US$ 9,50 por bushel. Para o farelo de soja, o contrato Agosto/2017 também registra forte queda de 5% no mesmo comparativo, a US$ 337,63 por tonelada. Para o óleo de soja, o contrato de mesmo vencimento registra queda de 1,4% nos últimos sete dias, a US$ 735,90 por tonelada. Enquanto os prêmios de exportação de soja e farelo de soja não apresentam grandes alterações, os prêmios de óleo de soja registram alta no Porto de Paranaguá (PR) nos últimos sete dias. Apesar de esse cenário impedir uma queda mais acentuada no valor do óleo, as ofertas entre compradores e vendedores se distanciam, resultando em poucas negociações. Além da firme demanda interna, a procura de compradores internacionais por óleo de soja brasileiro segue elevada. Em julho, embora o volume embarcado tenha recuado 16,8% em relação a junho/2017, houve aumento de 86% frente ao mesmo período do ano passado, com volume total de 137,30 mil toneladas no último mês.

 

Essa é a maior quantidade para um mês de julho enviada ao exterior desde 2012, quando foram embarcadas 152,39 mil toneladas. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), na parcial do ano (entre janeiro e julho), foram exportadas 831,86 mil toneladas de óleo de soja do Brasil, 17% acima do mesmo período de 2016. As exportações de farelo de soja, por outro lado, estão enfraquecidas neste ano, somando apenas 8,76 milhões de toneladas, queda 11% se comparado aos embarques da parcial de 2016 (de janeiro a julho). Saíram dos portos brasileiros 1,15 milhão de toneladas de farelo em julho/2017, 16,9% abaixo do exportado em junho/2017 e quantidade 16,6% inferior à de julho/2016. Na parcial de 2017, o Brasil exportou 50,9 milhões de toneladas de soja em grão, 14,9% a mais que no mesmo período do ano passado. Em julho, o volume embarcado foi de 6,95 milhões de toneladas, 20,2% maior que em julho/2016, mas 24,4% inferior a junho/2017. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.