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CHARBEL NEWS

Soja

Soja : safra americana volta a pressionar

14/08/2017 - 9h01

Veja como trabalhou o mercado de soja na semana que passou. Os próximos dias não deverão ser muito diferente. Algumas indústrias de Óleo no Brasil reduzem produções, por conta de margem negativa. A lógica é uma dinimuição de oferta, mas em momento de demanda modesta, tudo pode acontercer.

Uma Abençoada semana.

Charbel Felipe Silva 

Tendência baixista com previsão de safra nos EUA

Após a divulgação do relatório de oferta e demanda mensal de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), elevando a projeção para a safra do país em 2017/2018, a pressão baixista voltou sobre os futuros em Chicago, ampliando a pressão baixista sobre os preços no mercado físico brasileiro. Os preços da soja, que tiveram sustentação em termos mundiais em julho, devido às incertezas de produção nos Estados Unidos, têm registrado alta no mercado brasileiro desde o final da semana passada. A elevação está atrelada à maior demanda para entrega imediata e à valorização do dólar frente ao Real. Entretanto, as reações têm sido limitadas e, em alguns casos, os valores até registram queda, diante do aumento no volume de precipitações nos Estados Unidos. Outro fator que restringe os aumentos é a divulgação de novos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a produção norte-americana, que, ao contrário do previsto pelo mercado, estão maiores que os estimados até julho.

 

Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 3,4%, a R$ 71,55 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra alta de 2,6% nos últimos sete dias, a R$ 64,43 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram alta de 1,0% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,6% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Os valores de óleo de soja apresentam leve avanço de 0,5% nos últimos sete dias, a R$ 2.611,79 por tonelada (posto em São Paulo com 12% de ICMS). Para o farelo de soja, na média das regiões, há desvalorização de 0,4% nos últimos sete dias. As cotações foram pressionadas especialmente no dia 10 de agosto, após o USDA indicar relação estoque/consumo final de 29,5% na temporada 2016/2017, o maior da história.

 

Na temporada, enquanto a produção mundial teve crescimento de 12,4%, a 351,7 milhões de toneladas, a demanda agregada (processamento e consumo em indústrias de alimentos e de ração) foi de 329,2 milhões de toneladas, 4,8% maior que na temporada anterior. As importações mundiais cresceram 6,7% no período. Para a safra 2017/2018, o USDA estima produção mundial de 347,36 milhões de toneladas, 1,2% menor que a temporada 2016/2017. Para os Estados Unidos, a estimativa é de novo recorde de oferta, com produção chegando a 119,23 milhões de toneladas, alta de 1,7% frente à safra anterior. São esperadas ofertas menores para o Brasil (-6,1%), a Argentina (-1,4%), a Índia (-13,0%) e o Paraguai (-11,9%). Nestes casos, a pressão vem da estimativa de produtividade abaixo da registrada na temporada 2016/2017, uma vez que, especialmente no Hemisfério Sul, o cultivo ainda não se iniciou. Mesmo assim, há previsões de maior área destinada para a soja para a próxima temporada.

 

O consumo total de soja deve continuar crescendo, chegando a 343,32 milhões de toneladas, 4,3% maior que na temporada anterior. O esmagamento, que representa 87,5% da demanda total, deve crescer 4,2%, puxado especialmente pela China, que vai processar 92,5 milhões de toneladas, 6,9% a mais que em 2016/2017. Dentre os 15 maiores processadores de soja, o volume deve ser menor somente na Índia. As transações externas devem crescer 4%, para 148 milhões de toneladas, representando 42,6% da produção mundial de soja em grão. A China e União Europeia, devem importar 94 milhões de toneladas (+3,3%) e 14,6 milhões de toneladas (+5,8%), respectivamente. Quanto aos derivados, a oferta deve crescer, em linha com os maiores volumes processados. A demanda também está firme, o que deve favorecer as transações externas.

 

Com estimativas de maior oferta norte-americana e mundial, na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Agosto/2017) da soja em grão registra queda significativa de 2,1% nos últimos sete dias, indo para US$ 9,30 por bushel. Para o farelo de soja, o contrato Agosto/2017 registra forte queda de 4% no mesmo comparativo, a US$ 324,30 por tonelada. Quanto ao óleo de soja, o contrato de mesmo vencimento apresenta avanço de 1,1% nos últimos sete dias, a US$ 743,83 por tonelada. Nos Estados Unidos, 60% das lavouras estão em condições boas e excelentes, contra 59% na semana anterior e 72% no ano anterior. As lavouras em condições ruins e muito ruins representam 12%, contra 13% na semana anterior e 7% no ano anterior. Do total das lavouras, 90% estão ainda em floração, mesmo percentual da safra anterior, mas acima do registrado na média de 2012 a 2016. Também há 65% das lavouras que já estão, em partes, formando vagens, contra 67% no ano anterior, mas levemente acima da média de 2012 a 2016, de 62%. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.