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Açúcar : excesso de oferta global pressiona preços

18/08/2017 - 11h35

A materia abaixo mostra os varios fatores que contriburam para a queda de preços do açúcar, que surpreendeu a maioria do mercado.

Abraço !

Charbel Felipe Silva

Açúcar: excesso de oferta global pressiona preço

O Brasil - responsável por metade das exportações globais do produto - enfrenta excesso de oferta em nível mundial e maior disputa por compradores. Os preços tiveram o pior início de ano desde a década de 1980. O agravante é que a safra recorde se mostra ainda maior do que se esperava na principal região produtora do país, exatamente quando o consumo mundial se desacelera e as pessoas optam por outras formas de adoçante. Em 2016, a oferta limitada desencadeou a disparada nos contratos futuros. Já no período de 12 meses até abril, a produção deve crescer 5,2% para a maior quantia já registrada, segundo previsão do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O Brasil pode ter dificuldades para encontrar compradores para o açúcar bruto logo antes do salto das exportações da União Europeia, que suspenderá restrições às safras e os limites a embarques para fora do bloco a partir de outubro.

 

Não deve haver demanda forte por açúcar depois de setembro, com o peso da volta da Europa. A percepção de superávit aumenta a partir do quarto trimestre. A produção global nesta temporada chegará a um recorde de 179,6 milhões de toneladas, segundo o USDA. Na região Centro-Sul do Brasil, a produção deve atingir 36,4 milhões de toneladas, ou 900 mil toneladas a mais do que se previa no início do ano. Após dois anos seguidos de déficit, o mundo pode ter superávit entre 4 milhões e 6 milhões de toneladas na safra 2017/2018. A Organização Internacional do Açúcar divulgou em maio expectativa de superávit de 3 milhões de toneladas. A cotação do açúcar desabou 33% desde o fim de 2016 para 13,13 centavos de dólar por libra-peso nesta semana, na ICE Futures, em Nova York.

 

Foi a maior queda de início de ano desde 1984. Os problemas brasileiros se intensificam com a expansão da produção e das vendas de beterraba na UE, após uma década de restrições. A medida pode elevar as vendas de açúcar branco refinado do bloco em 2 milhões de toneladas para 3 milhões de toneladas na safra que começa em 1º de outubro. O movimento pode prejudicar as margens de lucro de refinarias localizadas no Oriente Médio e no norte da África, que não devem importar tanto açúcar bruto do Brasil. Já há evidências de que o excesso de oferta está afetando as refinarias. O preço do açúcar branco refinado negociado em Londres acumula queda de 31% e chegou a US$ 363,10 por tonelada nesta semana. A diferença de preços entre o produto bruto e o refinado encolheu 35% para US$ 75 por tonelada. No caso dos contratos futuros para entrega em março, o spread é de US$ 70 por tonelada.

 

Muitas das maiores refinarias do mundo precisam de uma diferença mínima de US$ 100 para gerar lucro. O mercado não está pagando as refinarias para importarem açúcar no quarto trimestre. Para muitas refinarias, o ágio do produto branco simplesmente não será suficiente para elas operarem nos próximos 12 meses. A China também está comprando menos do Brasil. Os embarques para o país mais populoso do mundo e segundo maior consumidor mundial de açúcar diminuíram 80% no primeiro semestre, após a elevação das tarifas de importação pela China no segundo trimestre. Em alguma medida, essas vendas perdidas serão direcionadas para o leste da África, onde países como o Quênia enfrentam escassez no mercado doméstico por causa da seca. Os estoques na UE estão no menor patamar em uma década e, sendo assim, os produtores podem escolher primeiramente abastecer o mercado doméstico a vender para o exterior.

 

A China provavelmente vai preferir comprar da América Central por questões tarifárias. O contrabando de açúcar branco para o país asiático também está reduzindo a demanda pelo açúcar bruto do Brasil. Todos os cinco maiores produtores de açúcar do mundo terão safras maiores nesta temporada, incluindo a UE. Essa é uma má notícia para exportadores brasileiros e para a demanda por açúcar bruto usado para refino. Da forma que o ágio do produto branco está estruturado no momento, a Europa essencialmente vai se livrar de seus estoques. Outros grandes produtores - Tailândia e Austrália - estão em regiões com déficit. Então, deverão vender a compradores asiáticos. Fonte: Bloomberg.