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CHARBEL NEWS

Soja

Soja :Tendência de aumento de área na safra 2017/2018

27/08/2017 - 18h54

Produtores fazem as previsões da safra 2017/2018, com aumento de área da soja .

Uma ótima semana !

Charbel Felipe Silva 

Tendência de aumento de área na safra 2017/2018

Mesmo com redução dos preços e margens previstas para a nova temporada 2017/2018, a soja deve ganhar espaços sobre o milho 1ª safra, feijão 1ª safra, algodão 1ª safra e arroz irrigado no Rio Grande do Sul. A nova safra de verão (1ª safra 2017/2018) de grãos, cereais e fibras se aproxima e os produtores caminham para a fase final de programação quanto a quais culturas serão cultivadas, além das possibilidades para a 2ª safra de 2018. A expectativa, por enquanto, é que a soja possa ganhar alguns pontos percentuais de área na nova temporada, apesar dos preços bem menores que os registrados no mesmo período do ano passado, da lentidão nas vendas da produção de 2016/2017 e do menor ritmo de compras de insumos. Na temporada 2016/2017, o uso de bons níveis tecnológicos e o clima extremamente favorável permitiram produtividades acima da média em praticamente todas as regiões. Foram registradas produtividades médias regionais acima de 70 sacas de 60 Kg por hectare em regiões dos Estados do Sul, e acima de 60 sacas de 60 Kg por hectare nas Regiões Sudeste e Centro Oeste do País.

 

Os bons rendimentos no campo permitiram que a receita fosse superior ao custo operacional (desembolso do produtor) em todas as regiões. Porém, pressionados pelas quedas de preços registradas de junho de 2016 até, pelo menos, abril de 2017, as receitas ficaram abaixo do custo total de produção (que envolve também os valores referentes à depreciação de máquinas, equipamentos e benfeitorias e ao custo de oportunidade do imobilizado) em cerca de 1/3 das regiões e/ou estruturas de custos consideradas. Este cenário é ainda mais preocupante quando se consideram as perdas produtivas de 2015/2016, com destaque para diferentes regiões do Centro Oeste, Nordeste e Norte do País. Além disso, a tendência crescente dos custos nos últimos dez anos, pelo menos, vem reduzindo as margens dos produtores. O desafio, que tem sido pouco alcançado, é produzir mais com custos marginais decrescentes.

 

Quando se consideram a evolução de receita líquida em relação aos custos totais, as margens têm sido apertadas e até negativas em alguns casos na última década. Agora, a grande questão é o que esperar para 2017/2018. Os custos de produção por unidade de área em análise para a próxima temporada não devem ter alterações expressivas frente à safra passada. Dados para diferentes Regiões do País, de Sul a Nordeste, apontam variações entre -3,4% e +5,6%, já considerando os ajustes em custos com óleo diesel e mão de obra. As simulações foram efetuadas tendo como referência a produtividade média dos últimos cinco anos e os preços de insumos e venda da produção de 2017. Porém, como a produtividade média é menor que a registrada em 2016/2017 e os preços de venda da produção estão bem menores que os de 2016, os pontos de equilíbrio em equivalente produção (ou preços de venda) devem ser bem maiores na nova temporada que os calculados para 2016/2017.

 

Para cobrir os custos operacionais, haverá necessidade de 21% a mais em equivalente produto. Ao tomar como referência um preço de equilíbrio, em relação ao recebido pelo produtor para cobrir os custos operacionais de 2016/2017, os preços necessários por unidade de produto precisarão ser 15% maiores em 2017/2018. Dois pontos são importantes: ao necessitar de quantidade maior de produção para arcar com os custos operacionais, certamente as margens serão bem menores que na temporada passada, até porque em 2016/2017 houve recorde de rendimentos no campo. Por outro lado, os preços na Bolsa de Chicago não sinalizam grandes alterações para os próximos vencimentos. Em agosto, as médias para os contratos até meados de 2018 estão entre US$ 9,40 por bushel e US$ 9,80 por bushel. No Brasil, apesar de os prêmios estarem positivos, se os dados de oferta e demanda se confirmarem, oscilações mais expressivas das cotações vão depender da taxa de câmbio, que em agosto tiveram médias entre R$ 3,16/US$ e R$ 3,29/US$ para os diferentes vencimentos dos contratos futuros na B3 até meados de 2018.

 

De qualquer forma, os dados apontam que a soja ainda permanece como uma (ou a principal) alternativa econômica na safra verão (1ª safra 2017/2018). Assim, se espera que a cultura possa ganhar área em detrimento do milho verão, especialmente nas Regiões Sul e Sudeste, e sobre áreas de renovação de pastagens, ou mesmo sobre áreas que passarão a ser direcionadas totalmente para grãos e cereais. A estimativa é de crescimento entre 2% e 3% na área semeada com soja. As cotações domésticas e externas da oleaginosa estão em alta, puxadas por maiores preços do óleo de soja. Na Bolsa de Chicago, os futuros do óleo de soja ganharam impulso diante da possibilidade de os Estados Unidos imporem tarifas à importação de biodiesel da Argentina e da Indonésia, o que poderia favorecer a produção de biodiesel nos Estados Unidos e, consequentemente, elevar a demanda por óleo de soja.

 

As variações externas também se refletiram nas cotações FOB nos portos brasileiros. Mesmo assim, as margens de esmagamento continuam apertadas, quando não negativas, para as indústrias nacionais. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Setembro/2017) da soja em grão registra alta de 1,2% nos últimos sete dias, para US$ 9,41 por bushel. O contrato Setembro/2017 do farelo de soja apresenta avanço de 0,5% no mesmo período, a US$ 328,04 por tonelada. O mesmo vencimento do óleo de soja registra elevação de 4,7% na mesma comparação, indo para US$ 766,76 por tonelada. Vale observar que, enquanto os contratos Setembro/2017 de soja e farelo acumulam perdas de 5,8% e 7,2% na parcial de agosto, o contrato de óleo de soja conseguiu praticamente recuperar as quedas registradas até meados do mês. Para o Brasil, os valores FOB exportação registram alta, com destaque também para as cotações de óleo de soja.

 

Os valores base Porto de Paranaguá (PR), para embarque em Setembro/2017, estão em US$ 800,28 por tonelada para o óleo de soja, alta de 6,9% nos últimos sete dias, US$ 301,59 por tonelada para o farelo de soja, alta de 1% no mesmo período e US$ 382,98 por tonelada (US$ 22,98 por saca de 60 Kg) para a soja em grão, avanço de 0,8% nos últimos sete dias. No mercado físico, nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 0,7%, cotado a R$ 69,74 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 0,6% nos últimos sete dias, a R$ 64,10 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços médios registram alta de 0,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 0,6% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Entre os derivados, os preços do farelo de soja apresentam queda de 0,5% nos últimos sete dias. Os valores de óleo de soja registram avanço de 1,5%, a R$ 2.662,41 por tonelada (posto em São Paulo com 12% de ICMS). Fonte: Cepea. Adaptado por Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.