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CHARBEL NEWS

Soja

Soja: Tendência de alta co mercado climático no Brasil

25/09/2017 - 10h39

A falta de chuva gera incertezas no plantio da soja no Brasil, e matem os preços firmes.

Uma ótima semana !

Charbel Felipe 

Tendência de alta com mercado climático no Brasil

A tendência é altista para os preços da soja no Brasil, com o “mercado climático” no Hemisfério Sul no radar dos agentes, atraso de chuvas para o plantio da safra brasileira e forte ritmo de exportações de soja em grãos durante 2017. O cultivo da temporada 2017/2018 de soja já se inicia com incertezas. De modo geral, as chuvas estão atrasadas e, mesmo com a liberação do semeio desde o dia 11 de setembro no Paraná, há cautela por parte dos produtores. Precipitações pontuais foram registradas em Mato Grosso, por exemplo, permitindo o semeio, mas os baixos índices pluviométricos elevam o risco de germinação desigual ou mesmo de perdas de cultivo. Agora, os produtores brasileiros estão atentos às previsões climáticas para avançar os trabalhos de campo. Além do fator climático, o que aumenta a preocupação dos produtores é a relação receita/custo. Embora os menores preços de fertilizantes e defensivos tenham pressionado levemente o custo de produção nesta temporada, a receita com base na parcial deste mês está nos menores níveis desde 2010, em termos reais.

 

Em Mato Grosso, na região norte, especialmente em Sorriso, as recentes precipitações incentivaram parte dos produtores a iniciar o cultivo da soja na semana passada. Entretanto, não há previsão de chuvas para os próximos dias, o que deixa outra parte dos produtores receosa em intensificar os trabalhos de campo, pois preferem aguardar maior umidade do solo. Os produtores da Região Centro-Oeste estão, inclusive, cautelosos na comercialização da safra 2017/2018, visto que reduziram as negociações nas últimas semanas. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), as vendas antecipadas de Mato Grosso estão em 16,65%, contra 27,44% em setembro/2016. No Paraná, na região oeste, poucos produtores se arriscaram a semear “no pó”. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), enquanto até meados de setembro de 2016 cerca de 3% das lavouras haviam sido semeadas, nesta temporada, essa percentagem ainda está restrita a cerca de 1%. Em São Paulo, o semeio de soja teve início apenas em áreas sob irrigação.

 

Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), há previsão de chuvas isoladas em Mato Grosso nos próximos dias. Para Campo Novo do Parecis e Sapezal, a previsão indica 30% de chance de precipitações para esta segunda-feira (25/09), enquanto para Sorriso, Sinop e Rondonópolis, não há previsões de chuvas, por enquanto. No Paraná, as previsões indicam 80% de possibilidade de chuvas em praticamente todo o Estado nesta semana. Em São Paulo, as precipitações devem ser esparsas. Em Assis, Cândido Mota e Pedrinhas Paulistas, as previsões indicam boas chances de chuvas, mas há baixa possibilidade de precipitações em outros munícipios. Com as incertezas climáticas e a cautela de produtores em comercializar grandes lotes, as negociações estão pontuais nos últimos sete dias, tanto para o mercado spot quanto para contratos a termo. A baixa liquidez está atrelada aos preços inferiores à paridade de exportação nos portos.

 

No Porto de Paranaguá, a paridade de exportação de soja é de R$ 73,53 por saca de 60 Kg, considerando-se o dólar a R$ 3,14. A média das ofertas com base no Indicador ESALQ/BM&F Paranaguá é de R$ 70,51 por saca de 60 Kg. Para março de 2018, as ofertas não chegam a R$ 71,00 por saca de 60 Kg, e a paridade de exportação está em R$ 74,45 por saca de 60 Kg, se considerado o dólar futuro negociado na B3 na quinta-feira (21/09), de 3,21. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 0,4% nos últimos sete dias, a R$ 65,31 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram alta de 0,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 0,3% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Referente ao farelo de soja, os preços registram alta, influenciados pela maior demanda doméstica. Além disso, com a menor procura por óleo de soja nos últimos sete dias, os representantes de indústrias elevaram os valores do farelo, para obter maior margem de lucro.

 

A valorização do farelo de soja é de 1,7% nos últimos sete dias. Os valores de óleo de soja, por sua vez, registram queda de 1,4% no mesmo comparativo, a R$ 2.708,93 por tonelada (posto em São Paulo com 12% de ICMS). Nos Estados Unidos, as atenções estão voltadas à colheita da oleaginosa, que teve início nos últimos dias. Embora a área seja recorde, as condições entre boas e excelentes vêm caindo a cada semana. A produtividade está menor que a esperada em algumas regiões norte-americanas. Entretanto, alguns agentes relatam que a área de maior rendimento deve compensar a de menor rendimento, resultando em safra volumosa. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 59% das lavouras norte-americanas estão em boas e/ou excelentes condições, recuo de 1% entre as duas últimas semanas e bem abaixo dos 73% no ano passado.

 

O número de lavouras em condições ruins e/ou muito ruins se manteve a 12%, contra 7% em 2016. Das lavouras, 41% já apresentam quedas de folhas, contra 22% na semana anterior e 43% na média dos últimos cinco anos. Do total da área semeada com soja nos Estados Unidos, 4% foram colhidos, em média com o ano passado e pouco abaixo dos 5% na média dos últimos cinco anos. Na Bolas de Chicago, o primeiro vencimento (Novembro/2017) da soja em grão registra leve alta de 0,4% nos últimos sete dias, para US$ 9,70 por bushel. Para o farelo de soja, o contrato Outubro/2017 também registra leve avanço de 0,1% no mesmo comparativo, a US$ 340,61 por tonelada. Quanto ao óleo de soja, após fortes altas, o contrato de primeiro vencimento (Outubro/2017) registra recuo de 1,6% nos últimos sete dias, US$ 751,77 por tonelada. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.