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CHARBEL NEWS

Soja

SOJA : Tendencia altista com clima e retração vendedora

14/10/2017 - 11h39

Mercado de soja continua firme. A  pouco oferta na entressafra deverá manter firme os preços do óleo ate janeiro.

Uma Ótima semana !

Charbel Felipe Silva 

Tendência altista com clima e retração vendedora

A tendência é de alta para os preços da soja no mercado brasileiro, com as exportações recordes no acumulado deste ano-safra, oferta interna restrita nesta entressafra e reação das cotações futuras em Chicago. O período é de entressafra no Brasil, com prêmios positivos nos portos brasileiros, dólar relativamente estável e cotações futuras na Bolsa de Chicago ultrapassando a linha dos US$ 10 por bushel, após o relatório de Oferta e Demanda mundial divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos no dia 12/10. A partir deste mês de outubro, ganha força o período de “mercado climático” na América do Sul, com projeções de área recorde na região, mas ainda sob a ameaça de atraso das chuvas para plantio da nova safra 2017/2018 no Brasil e excesso de chuvas comprometendo os trabalhos de campo na Argentina, o que poderá determinar, inclusive, uma redução da área plantada naquele país. Esses fatores, além da forte demanda global, podem promover novas elevações nas cotações futuras no curto e no médio prazo, diante da aproximação da finalização da colheita nos Estados Unidos.

 

As cotações de soja e derivados registram alta no Brasil e nos Estados Unidos nos últimos sete dias. A alta está atrelada às chuvas mal distribuídas no Brasil, o que gerou receio quanto ao avanço do plantio, às recentes precipitações nos Estados Unidos (que interromperam a colheita), à firme demanda global e à retração de produtores brasileiros e internacionais em comercializar grandes lotes, devido às incertezas sobre o tamanho da safra e o comportamento dos preços nos próximos meses. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta elevação de 3,0%, cotado a R$ 71,54 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 2,9% nos últimos sete dias, cotada a R$ 66,67 por saca de 60 Kg.

 

Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram alta de 2,9% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 3,1% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Os preços de farelo de soja registram avanço de 1,1% nos últimos sete dias. Para o óleo de soja, o aumento é de 1,1% no mesmo período, com média de R$ 2.732,86 por tonelada (posto em São Paulo com 12% de ICMS). No Brasil, enquanto há baixo índice pluviométrico em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo, os produtores da Região Sul, por outro lado, estão em alerta com o excesso de chuva. A partir desta semana, o vazio sanitário termina na Bahia e nas microrregiões do Maranhão, como Alto Mearim, Grajaú, Balsas, Imperatriz e Porto Franco. Assim, os produtores estão à espera de aumento na umidade do solo para iniciar o semeio. Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), até o dia 17 de outubro, o sol predominará na Região Centro-Oeste, com poucas nuvens e chuvas isoladas, que devem ocorrer com mais intensidade em Campo Novo do Parecis e Sapezal (MT).

 

Em São Paulo, Minas Gerais e nas Regiões Norte e Nordeste, há possibilidade de pancadas de chuvas até esta terça-feira (17/10). No Paraná, Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a previsão é de tempo nublado com probabilidade de chuvas. No Paraná, 34% da área foi semeada até o dia 8 de outubro, avanço de 18% em uma semana. Em Mato Grosso, o plantio chegou a 14,4% da área até o dia 13 de outubro, abaixo dos 31,4% registrados no mesmo período de 2016. Mesmo com incertezas climáticas, o plantio da soja segue em contínuo crescimento no Brasil. A área a ser cultivada com soja nesta temporada deve ter crescimento de 3,3% em relação à temporada 2016/2017, prevista em 35,1 milhões de hectares. Em 2017, as exportações devem somar 65 milhões de toneladas. Em 2018, as exportações devem ser de 66 milhões de toneladas. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em relatório divulgado no dia 12 de outubro, os estoques de passagem do país norte-americano foram revisados. Para a safra 2016/2017, que foi encerrada em agosto deste ano, os estoques devem ser de 8,2 milhões de toneladas, 12,7% abaixo do indicado no relatório de setembro.

 

Quanto à safra 2017/2018, a previsão é de 11,7 milhões de toneladas, 9,4% menor que o previsto em setembro, mas 42,8% maior que os estoques da temporada 2016/2017. A produção ficou praticamente inalterada em relação ao previsto em setembro, a 120,6 milhões de toneladas. Entretanto, há expectativa de que este número seja reduzido nos próximos relatórios, devido à baixa produtividade em parte das áreas norte-americanas, resultado da estiagem na principal fase de desenvolvimento do grão e das chuvas no período da colheita. Do total da área semeada com soja na safra 2017/2018, 36% foram colhidos, abaixo dos 43% na média dos últimos cinco anos e dos 41% no mesmo período de 2016. Do total, 89% das lavouras já apresentam queda de folhas, aumento de apenas 9% em comparação com a semana anterior, abaixo dos 90% no mesmo período de 2016, mas acima da média dos últimos cinco anos, de 87%. Em relação à soja ainda nas lavouras, 61% estão entre boas e/ou excelentes condições, aumento de 1%; 28% estão em condições médias e 12%, em condições ruins e/ou muito ruins.

 

Na Argentina, o cultivo da nova safra deve se iniciar nos próximos dias. Por enquanto, a previsão é que a área com a cultura totalize 19,2 milhões de hectares, similar ao cultivado em 2016/2017. Em termos mundiais, os dados do USDA para 2017/2018 indicam produção de 347,9 milhões de toneladas. O esmagamento previsto é de 301,3 milhões de toneladas. A comercialização global de soja em grão está estimada em 151,0 milhões de toneladas. O USDA reduziu os dados de estoques finais, fazendo com que a relação estoque/consumo caísse para 27,9%, contra 28,7% na temporada anterior. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja em grão registra alta de 2,5% nos últimos sete dias, para US$ 10,00 por bushel, enquanto o contrato maio/2018 está cotado a US$ 10,28 por bushel. Para o farelo de soja, a alta é de 3,1% no mesmo comparativo, a US$ 355,71 por tonelada. Referente ao óleo de soja, o contrato de primeiro vencimento apresenta avanço de 0,9% nos últimos sete dias, a US$ 733,69 por tonelada. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.