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CHARBEL NEWS

Soja

Soja : Tendência de alta com menor oferta

22/10/2017 - 21h46

Os preços da soja seguem muito firmes, no Brasil em especial pela entressafra .

Uma ótima semana !

Charbel Felipe Silva 

Tendência é altista com retração dos vendedores

A tendência é de alta para os preços da soja no mercado brasileiro, com as exportações recordes no acumulado deste ano-safra, oferta interna restrita nesta entressafra e reação das cotações futuras em Chicago. O período é de entressafra no Brasil, com prêmios positivos nos portos brasileiros, dólar relativamente estável e cotações futuras na Bolsa de Chicago, após o relatório de Oferta e Demanda mundial divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos no dia 12/10. A partir deste mês de outubro, ganha força o período de “mercado climático” na América do Sul, com projeções de área recorde na região, mas ainda sob a ameaça de atraso das chuvas para plantio da nova safra 2017/2018 no Brasil e excesso de chuvas comprometendo os trabalhos de campo na Argentina, o que poderá determinar, inclusive, uma redução da área plantada naquele país. Grande parte das indústrias brasileiras processadoras de soja contava com a safra nacional recorde para adquirir maiores volumes da oleaginosa a preços mais baixos, inclusive no segundo semestre.

 

Entretanto, a firme demanda externa e chuvas irregulares no Brasil, que atrapalharam o semeio da safra 2017/2018, retraíram os produtores, que têm indicado valores bem acima do que os compradores estão dispostos a pagar. Nesse cenário, as esmagadoras têm enfrentado dificuldades para adquirir o grão, o que, somado ao aumento da demanda interna por farelo e óleo de soja, impulsionou os valores da matéria-prima e dos derivados nos últimos dias. A maior procura por farelo está atrelada aos baixos estoques de suinocultores e avicultores, enquanto que o aumento das vendas de óleo de soja reflete a demanda firme do segmento de biodiesel. O alto consumo de óleo no mercado brasileiro diminuiu o excedente para vendas ao mercado externo, elevando os prêmios de exportação deste derivado e sustentando as cotações domésticas.

 

Os preços do farelo de soja registram alta de 2,2% nos últimos sete dias. Para o óleo de soja, o aumento é de 0,2% no mesmo comparativo, com média de R$ 2.737,26 por tonelada (posto em São Paulo com 12% de ICMS). Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 0,8%, cotado a R$ 71,37 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 1,8% nos últimos sete dias, a R$ 66,73 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa apresentam avanço de 1,8% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,4% no mercado de lotes (negociações entre empresas). As altas dos preços domésticos foram limitadas pela pequena variação da taxa cambial (Real x dólar) e pelas condições climáticas favoráveis ao avanço da colheita norte-americana, que pressionou as cotações futuras nos Estados Unidos.

 

Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja em grão registra recuo de 0,6% nos últimos sete dias, mas segue próxima do patamar de US$ 10 por bushel. Para o farelo de soja, a queda é de 1,5% no mesmo comparativo, a US$ 354,28 por tonelada. Quanto ao óleo de soja, o contrato de primeiro vencimento apresenta avanço de 1,7% no período, a US$ 749,34 por tonelada, refletindo a demanda firme e as valorizações do óleo de palma. No Paraná, a maior umidade do solo permitiu que produtores avançassem com os trabalhos de campo, principalmente na região oeste do Estado, a primeira a iniciar o plantio no Brasil. Os munícipios de Cascavel e Toledo, que têm as maiores áreas de soja do Estado, já semearam 95% do total. Em seguida vêm Campo Mourão e Maringá, com 70% da área semeada; Umuarama, com 67%; Laranjeiras do Sul, com 65%; Francisco Beltrão, com 55%; Pato Branco e Londrina, com 50% cada. As regiões de Jacarezinho e Paranavaí semearam 40% da área, Cornélio Procópio, 38%, e Apucarana, 35%.

 

Nas demais regiões do Estado, o plantio costuma levar mais tempo para começar, devido à colheita de trigo. Na média do Estado, 51% da área de soja havia sido semeada até o dia 16 de outubro, acima dos 47% do mesmo período de 2016. Em Mato Grosso, o plantio segue lento devido à baixa umidade do solo. Da área alocada à soja, 14,4% havia sido semeada até o dia 13 de outubro, 17% inferior à área cultivada no mesmo período de 2016, de 31,4%. A região oeste de Mato Grosso é a que mais avançou com os trabalhos de campo, totalizando 40,8% da área. As demais regiões semearam menos que a metade da área cultivada em igual período de 2016. Em Minas Gerais, Goiás e São Paulo, a baixa umidade do solo tem preocupado os produtores, que estão cautelosos e à espera de chuvas para avançar com o semeio. Em Mato Grosso do Sul, a falta de precipitações diminuiu o ritmo de semeio.

 

Embora as condições climáticas estejam desfavoráveis, no geral, ainda é cedo para apontar algum impacto negativo na oferta da próxima temporada. No Rio Grande do Sul, o plantio ainda está no início, dentro da normalidade para o Estado, onde os produtores colhem trigo no final de outubro para então semear a soja. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), do total da área semeada com a oleaginosa da safra 2017/2018 no país, 49% foram colhidos, quantidade inferior à média de 60% dos últimos cinco anos e menor que os 59% do mesmo período de 2016. Do total, 94% das lavouras já apresentam quedas de folha, 1% acima da média dos últimos cinco anos. Em relação à soja ainda nas lavouras, 61% está em boas e/ou excelentes condições, 27%, em condições médias, e 12%, em condições ruins e/ou muito ruins. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.