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CHARBEL NEWS

Soja

SOJA : Tendencia altista e retração dos vendedores

05/11/2017 - 20h10

O preço da soja segue firme, e assim devera continuar nesse final de 2017 e inicio de 2018.

Abraço!

Charbel Felipe

Tendência é altista com a retração de vendedores

Com todos vencimentos futuros da soja de 2018 na Bolsa de Chicago acima dos US$ 10 por bushel, exportações recordes no Brasil e adversidades climáticas ainda ameaçando a safra sul-americana de 2017/2018, a tendência é altista para os preços da soja. As cotações dos derivados estão praticamente estáveis, devido ao baixo ritmo de negociações no mercado spot, cenário que está atrelado à grande disparidade entre os preços de compradores e vendedores. Porém, quando analisada a média de outubro, os valores de soja em grão e de farelo estão nos maiores patamares dos últimos três meses, e os de óleo, dos últimos nove meses. O aumento nos preços do complexo soja é justificado pela firme demanda externa e pela retração de produtores em comercializar lotes grandes, visto que as ofertas para entrega em 2018 têm preços mais elevados.

 

Parte dos produtores intensificou as negociações da safra 2017/2018 em outubro, enquanto outros têm mostrado preferência por vender no mercado spot em 2018. Esses agentes acreditam que os valores de soja podem subir mais no primeiro trimestre do ano que vem, devido ao possível atraso na entrada da safra, o que pode fazer com que traders com navios nomeados para janeiro e fevereiro paguem ainda mais por lotes da oleaginosa. Além da retração vendedora, as cotações foram impulsionadas pela valorização do dólar frente ao Real. A moeda norte-americana teve média de R$ 3,19 em outubro, a maior desde julho deste ano, em termos nominais. O Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresentou alta de 1,5% entre setembro e outubro, cotado a R$ 71,47 por saca de 60 Kg, a maior desde julho, em termos reais (IGP-DI setembro/2017).

 

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registrou avanço de 2,3% no mesmo comparativo, a R$ 66,48 por saca de 60 Kg, também a maior dos últimos três meses. Em outubro, as cotações da oleaginosa apresentaram aumento de 3,3% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 2,5% no de lotes (negociações entre empresas). Quanto ao farelo de soja, os preços subiram fortes 5,2% entre setembro e outubro. Na maioria das regiões, a média de outubro foi a mais elevada nos últimos três meses, em termos nominais. De óleo de soja, os preços são os maiores desde janeiro, em termos reais, com média de R$ 2,753,19 por tonelada (posto em São Paulo com 12% de ICMS) em outubro. Nos Estados Unidos, os preços do grão foram influenciados pela firme demanda por farelo de soja. Na Bolsa de Chicago, em outubro, o farelo teve alta de 3,3%, para US$ 347,41 por tonelada. Quanto ao óleo de soja, os preços cederam. O contrato de primeiro vencimento recuou 2,0% no mesmo período, a US$ 740,74 por tonelada.

 

No caso do óleo de soja, a queda se deve à maior oferta de óleo de palma. Embora os produtores tenham se retraído nas negociações de grandes lotes nos últimos dias, os embarques brasileiros seguem em níveis recordes. De janeiro a outubro, o Brasil exportou 63,65 milhões de toneladas de soja, apenas 2,1% abaixo do estimado para todo o ano de 2017. Especificamente em outubro, as exportações do grão somaram 2,48 milhões de toneladas, volume 41,8% inferior ao exportado em setembro, porém, mais que o dobro do volume embarcado em igual período de 2016. Em outubro, os embarques de farelo de soja totalizaram 12,43 milhões de toneladas, crescimento de 9,7% em relação a setembro e de 76,1% frente a outubro de 2016. Na parcial do ano (de janeiro a outubro), porém, as exportações brasileiras do derivado ainda estão 1,1% menores que as do mesmo período de 2016. Os embarques de óleo de soja também estiveram mais aquecidos em outubro. O total foi de 115,6 mil toneladas, mais que o dobro do enviado ao exterior em setembro/2017 e em outubro/2016.

 

No campo, a alta nos valores da oleaginosa foi limitada pelas condições climáticas favoráveis ao semeio no Brasil e pelo avanço da colheita nos Estados Unidos. No Brasil, houve ocorrência de chuvas em praticamente todas as regiões. No Paraná, 73% da área foi semeada até o final de outubro. Em Mato Grosso, o plantio avançou com mais intensidade na última semana, chegando a 44% da área, mas ainda está abaixo dos 67,7% registrados no mesmo período da safra passada. No Rio Grande do Sul, o semeio atingiu 9% da área, igual ao mesmo período de 2016. As atividades de campo devem ganhar forças nesta semana. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), do total da área semeada com a oleaginosa no país na safra 2017/2018, 83% foram colhidos, levemente inferior à média de 84% dos últimos cinco anos e dos 85% do mesmo período de 2016. Fonte: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.