ESPECIALISTA EM COMMODITIES
DESDE 1989

Atendimento

33 3331 1000

CHARBEL NEWS

Soja

Soja : Tendência de altista com entressafra e boa demanda

27/11/2017 - 9h06

O Complexo soja, mantém preços muito firmes, em especial pela entressafra (Brasil) e incertezas sobre a safra 2018.

Um Ótima semana !

Charbel Felipe Silva

Tendência altista com entressafra e boa demanda

A tendência é de preços sustentados para a soja no curto e no médio prazo, com todos os vencimentos futuros da soja de 2018 na Bolsa de Chicago próximos de US$ 10 por bushel, exportações recordes no Brasil e adversidades climáticas ainda dificultando o plantio e ameaçando a safra sul-americana de 2017/2018. As exportações brasileiras de soja em grãos cresceram 26% no acumulado de 2017 sobre mesmo período do ano anterior. As cotações de soja, especialmente no mercado disponível, seguem firmes em novembro, devido ao período entressafra, à boa demanda e aos estoques mais baixos. As preocupações com o cultivo da temporada 2017/2018, a retração vendedora e o dólar mais elevado também são fatores altistas. Com isso, as médias dos Indicadores ESALQ/BM&F Paranaguá e CEPEA/ESALQ Paraná, na parcial de novembro, são as maiores desde janeiro deste ano, em termos reais (deflacionados pelo IGP-DI – outubro/2017).

 

Entre outubro e a parcial de novembro, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 3,4%, cotado, em média, a R$ 73,87 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 3,6% no mesmo comparativo, a R$ 68,89 por saca de 60 Kg. Entre outubro e a parcial de novembro, as cotações da oleaginosa sobem 3,3% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 3,1% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Nos últimos sete dias, por outro lado, a liquidez esteve menor e os preços se mantêm praticamente estáveis, devido aos feriados nacional no dia 15 de novembro (Proclamação da República), em algumas regiões no dia 20 de novembro (Morte de Zumbi dos Palmares) e nos Estados Unidos no dia 23 de novembro (Ação de Graças).

 

Embora a moeda norte-americana tenha cedido nos últimos dias, na parcial de novembro a média é de R$ 3,26, a maior desde junho deste ano. Com isso, o produto brasileiro ficou mais atrativo aos importadores, que adquiriam 1,12 milhão de toneladas de soja brasileira em apenas onze dias úteis de novembro. Este volume representa quatro vezes a mais que o exportado pelo País em todo o mês de novembro de 2016. Este cenário deixou produtores cautelosos nas vendas, aguardando crescimento ainda maior na procura externa nos próximos meses. Os embarques de farelo de soja também estiveram mais aquecidos nas primeiras semanas do mês. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), na parcial de novembro, a média do volume diário enviado ao exterior cresceu 5,7% em relação à de outubro e 48% frente à de novembro/2016.

 

No mercado interno, entre outubro e a parcial de novembro, os preços do farelo registram alta de 1,6%. Para o óleo de soja, a demanda doméstica segue aquecida. O preço do óleo de soja registra alta de 3,1% de um mês para o outro, com média de R$ 2.839,00 por tonelada (posto em São Paulo, com 12% de ICMS) na parcial de novembro, a maior média desde janeiro, em termos reais. Este cenário de embarques aquecidos é atípico no Brasil no segundo semestre, devido especialmente à entrada de safra nos Estados Unidos, grande concorrente nas exportações da oleaginosa. Diante da firme demanda e dos menores lotes ofertados, o prêmio de exportação brasileiro de soja está nos maiores patamares desde 2014, mesmo com os maiores valores nos preços futuros nos Estados Unidos. No Porto de Paranaguá (PR), o embarque Março/2018 do grão teve comprador +US$ 0,52 por bushel.

 

No mesmo período da temporada anterior, o contrato de mesmo vencimento era negociado a +US$ 0,40 por bushel para o comprador. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja em grão avançou 0,6% entre as médias de outubro e da parcial de novembro. Para o óleo de soja, o contrato de primeiro vencimento subiu 2,9% no mesmo período, a US$ 962,49 por tonelada. Quanto ao farelo de soja, os preços permanecem a US$ 347,37 por tonelada. No campo, a atenção de agentes está voltada ao clima na América do Sul. No Brasil, embora a baixa umidade tenha interrompido o semeio no início do ciclo, os produtores já estão atentos ao excesso de chuva e à baixa luminosidade. Se este cenário continuar, pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras, visto que pode aumentar a incidência de doenças e fungos, especialmente nas Regiões Sul e Sudeste do País.

 

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), no Paraná, 96% da área reservada para a soja já foi semeada, 1% acima do mesmo período de 2016. Até o dia 19 de novembro, 81% da safra 2016/2017 havia sido comercializada e, da temporada 2017/2018, apenas 11%. Em Mato Grosso, 90,73% da área foi semeada até o dia 17 de novembro, abaixo dos 95,5% no mesmo período de 2016. Da safra 2016/2017, 95,6% já foram vendidos. As vendas antecipadas seguem lentas, com apenas 32,8% da safra 2017/2018 comercializada. No Rio Grande do Sul, o semeio também avança rapidamente, chegando a 48% da área do Estado, abaixo dos 52% na média dos últimos cinco anos. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.