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Soja : Tendência de estabilidade com melhoras no clima

04/12/2017 - 11h38

A tendência é de estabilização dos preços da soja no mercado brasileiro no curto e no médio prazo, diante da melhoria das condições climáticas para o plantio e desenvolvimento da nova safra nacional, cotações futuras estáveis em Chicago e dólar com menor volatilidade no Brasil

 

 

Tendência de estabilidade com melhoras no clima

O cultivo de soja avança no Brasil, chegando na reta final em muitos Estados. O clima vem favorecendo os trabalhos de campo e também o desenvolvimento das lavouras já implantadas tanto no Brasil quanto na Argentina, cenário que gera expectativa de oferta elevada. Com isso, os preços internos da oleaginosa se enfraqueceram nos últimos dias. No Paraná, 98% da área já foi cultivada e em Mato Grosso, 96%. Em Mato Grosso do Sul, algumas regiões praticamente já finalizaram o plantio. Em Santa Catarina, o cultivo está próximo dos 90%. Em São Paulo e em Goiás, as atividades ainda devem seguir por duas semanas.

 

Após o início conturbado do cultivo da soja no Rio Grande do Sul, a buva está sendo controlada, mas a preocupação existe em algumas pequenas áreas. O plantio alcançou 70% da área estadual até o dia 30 de novembro. O Consórcio Anti-Ferrugem da Embrapa indica que, até o final de novembro, foram registradas sete ocorrências de ferrugem asiática (doença causada por fungo que prejudica principalmente as lavouras de soja, reduz a produtividade e gera perdas consideráveis). Três ocorrências foram verificadas no Paraná, duas em São Paulo, uma no Rio Grande do Sul e uma Minas Gerais. Ainda conforme a Embrapa, considerando-se apenas os meses de novembro, esta é a menor incidência da doença desde a safra 2012/2013, quando também havia sete registros de ferrugem asiática no Brasil.

 

Na Argentina, 42,5% da área havia sido semeada até o dia 23 de novembro. Embora as recentes chuvas tenham trazido alívio para produtores argentinos, as lavouras argentinas ainda precisam de maior umidade. Quanto aos preços, mesmo com o enfraquecimento dos últimos dias, a média de novembro ainda é a segunda maior do ano, perdendo apenas para a média de janeiro. Quando considerados preços de todo o ano (janeiro a novembro), as médias dos Indicadores CEPEA/ESALQ Paraná e ESALQ/BM&F Paranaguá) são as menores, em termos reais, desde 2011 (valores foram deflacionados pelo IGP-DI de outubro/2017). Além do maior excedente mundial, este cenário se deve à queda do dólar frente ao Real, que, embora esteja nos maiores níveis de 2017, é a menor média para um mês de novembro, desde 2014.

 

Em novembro/2017, a moeda norte-americana teve média de R$ 3,25, a segunda maior do ano, mas 2,4% menor que a do mesmo período de 2016. Diante disso, tem sido observado expressivo aumento na disparidade de preços entre compradores e vendedores, resultando em menor liquidez interna. Nos últimos sete dias, há registro de pequena alta de 0,1% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e leve queda de 0,1% no mercado de lotes (negociações entre empresas). A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra leve alta de 0,7% nos últimos sete dias, a R$ 70,01 por saca de 60 Kg. A média mensal deste Indicador registrou alta de 3,8% de outubro para novembro. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, permanece estável, cotado a R$ 78,37 por saca de 60 Kg. Na comparação mensal, a elevação é de 3,4%.

 

Para os derivados, o preço do óleo de soja registra alta de 0,5% nos últimos sete dias, a R$ 2.843,03 por tonelada (posto em São Paulo com 12% de ICMS). Entre setembro e outubro, o aumento foi de 3,2%. Para o farelo de soja, os preços registram leve recuo de 0,1% nos últimos sete dias, mas alta de 1,9% entre as médias de outubro e novembro. Com o aumento na mistura de 10% de biodiesel (B10) ao diesel a partir de março de 2018, algumas indústrias já planejam reduzir a exportação do óleo para ofertar o produto no mercado interno. Assim, não haveria necessidade de aumentar o processamento do grão. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja em grão registra queda de 1,2% nos últimos sete dias, para US$ 9,85 por bushel. Entre as médias de outubro e novembro, houve leve avanço de 0,9%. Para o óleo de soja, o contrato de primeiro vencimento registra queda de 0,9% nos últimos sete dias, a US$ 744,05 por tonelada; no mês, porém, a alta foi de 2,4%. Para o farelo de soja, os preços se mantêm estáveis nos últimos sete dias, mas subiram 0,7% entre outubro e novembro, a US$ 357,70 por tonelada. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.