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CHARBEL NEWS

Soja

Soja : Tendência é de pressão baixista no curto prazo

15/01/2018 - 9h42

Com sinais do inicio da colheita da soja no Brasil, aliado a outros fatores ,(Argentina, Estados Unidos e dólar ) os preços são pressionados.

Um ótima semana  !! 

Charbel Felipe Silva 

Tendência é de pressão baixista para o curto prazo

Com os futuros relativamente estáveis em Chicago, dólar em queda no Brasil e início da colheita da safra sul-americana, a tendência é de pressão baixista no curto prazo no mercado doméstico. No médio e longo prazo. O ano se inicia com pressão sobre as cotações do grão e dos derivados. A expectativa é de que a oferta da temporada 2017/2018 na América do Sul seja maior que a prevista até o momento, diante do clima favorável, e que os estoques de passagem nos Estados Unidos fiquem acima do previsto até dezembro, devido ao ritmo mais lento de vendas. No Brasil, também pesou a desvalorização do Real frente ao dólar, de 2,6% no acumulado de janeiro/2018. As chuvas recentes trouxeram alívio para produtores brasileiros. Apesar disso, o excesso de umidade preocupa em algumas regiões em fase de colheita ou mesmo em fase intermediária, uma vez que pode resultar no aparecimento de doenças. Em Mato Grosso, as precipitações interromperam a colheita, que havia sido iniciada lentamente em áreas do norte do Estado.

 

Por outro lado, no Rio Grande do Sul, o baixo índice pluviométrico deixa os produtores em alerta. As lavouras estão em boas condições, mas o volume de chuvas deve aumentar para que não ocorram perdas. Os registros de ferrugem asiática cresceram no Brasil neste início de 2018. Segundo a Embrapa, até o dia 11 de janeiro, houve 116 focos da doença, ante 113 registros no mesmo período da temporada passada. O Paraná é o Estado com a maior incidência: 61 casos de ferrugem asiática, ante 49 no mesmo comparativo. O Rio Grande Sul registrou 16 focos, abaixo dos 21 na safra passada, e os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul registraram 11 casos cada, também abaixo da safra passada, quando havia 17 e 19 focos de ferrugem, respectivamente. Na Argentina, apesar das chuvas esparsas, o volume ainda é baixo. O plantio segue em ritmo lento, mas já está perto do final, em 94,3% da área total.

 

Com isso, a Bolsa de Buenos Aires estima redução na área cultivada com soja, para 18,0 milhões de hectares, 0,6% menor que o esperado no início da temporada. Quanto à temporada 2017/2018 no Brasil, a estimativa da nossa Consultoria é de uma produção de 111,2 milhões de toneladas, 2,5% abaixo do produzido na safra 2016/2017. Isso é resultado especialmente da menor produtividade, que está estimada em 3,16 toneladas por hectare, contra 3,186 toneladas por hectare na temporada passada, redução de 5,3%. A área destinada à cultura é projetada em 34,9 milhões de toneladas, 3,0% acima da registrada em 2016/2017. As exportações da temporada 2016/2017 atingiram 68,149 milhões de toneladas, o que reduziu o estoque inicial deste ano para apenas 2 milhões de toneladas. Do total disponível internamente, 47,3 milhões de toneladas devem ser esmagadas domesticamente, 3,3% frente à temporada anterior. Com isso, as exportações devem recuar para 65 milhões de toneladas em 2018.

 

Do processamento interno, devem ser gerados 33,1 milhões de toneladas de farelo e 8,4 milhões de toneladas de óleo. Da oferta total de farelo, 17,5 milhões de toneladas devem ser consumidos internamente e 15,0 milhões de toneladas, exportados. Para o óleo de soja, a disponibilidade interna (estoques iniciais + produção) deve chegar a 8,9 milhões de toneladas, um recorde, assim como para o farelo e o esmagamento de soja. Deste total, 7,1 milhões de toneladas devem ser destinados ao consumo interno, separados entre alimentício e industrial (biodiesel), e 1,45 milhão de toneladas deverão ser exportadas. Diante das expectativas de aumento na demanda, os produtores de soja estiveram retraídos nas vendas, cenário que reduziu a liquidez interna. No acumulado de janeiro, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 2,2%, cotado a R$ 71,51 por saca de 60 Kg.

 

Também no acumulado de janeiro, a média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 1,9% nos últimos sete dias, a R$ 67,57 por saca de 60 Kg. No acumulado deste mês de janeiro, as cotações da soja em grãos apresentam queda de 2,0% tanto no mercado de balcão (preço pago ao produtor) quanto no de lotes (negociações entre empresas). Referente aos derivados, a firme demanda impediu quedas mais acentuadas. Os preços de farelo de soja registram queda de 2,1% no acumulado do mês. Para o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), a queda é de 0,6% no mesmo período, cotado a R$ 2.741,77 por tonelada. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja (Janeiro/2018) acumula recuo de 1,2% no acumulado de janeiro, a US$ 9,40 por bushel. Para o farelo de soja, o contrato Janeiro/2018 apresenta leve avanço de 0,1% no mesmo comparativo, caindo para US$ 344,91 por tonelada. Quanto ao óleo de soja, o contrato de mesmo vencimento apresenta leve alta de 0,6%, cotado a US$ 733,91 por tonelada. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria