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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência de altista para a soja com quebras na safra

26/02/2018 - 9h39

Alta nas cotações futuras na bolsa de Chicago, por conta de uma menor safra na Argentina , uma boa demanda global e doméstica, traduz em alta nos preços da soja.

Charbel Felipe Silva 

Tendência altista para soja com quebras de safra

A tendência é altista para os preços da soja no mercado brasileiro, diante da sustentação das cotações futuras em Chicago para patamares acima dos US$ 10 por bushel para todos vencimentos de 2018, prêmios positivos nos portos brasileiros em plena colheita da safra 2017/2018 e quebras confirmadas na safra da Argentina e demanda global e doméstica forte. As irregularidades climáticas na América do Sul mantêm crescentes as incertezas sobre a qualidade da soja da safra 2017/2018. Com isso, os vendedores brasileiros se afastam do mercado spot, resultando em alta nos preços. Os atuais patamares no Brasil e nos Estados Unidos já são os maiores desde o primeiro trimestre de 2017, em termos nominais. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 2,9%, cotado a R$ 76,73 por saca de 60 Kg.

 

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 2,9% nos últimos sete dias, a R$ 71,27 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram alta de 2,3% tanto no mercado de balcão (preço pago ao produtor) quanto no mercado de lotes (negociações entre empresas). Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja (Março/2018) registra alta de 0,7% nos últimos sete dias, cotada a US$ 10,32 por bushel. Na quarta-feira (21/02), os preços haviam atingido o maior patamar desde 1º de março de 2017. Além das incertezas quanto à qualidade, o atraso na colheita de soja no Brasil também influencia as recentes altas nos preços, já que muitos produtores têm retardado o cumprimento de contratos. Outros vendedores, ainda, se retraem, à espera de melhores oportunidades de negócios em meses posteriores. Nestes casos, esses agentes estão fundamentados na exportação de soja, no Porto de Paranaguá (PR), que indica preços de soja acima de R$ 80,00 por saca de 60 Kg para embarque a partir de junho, calculado por meio do dólar futuro de junho, na B3.

 

Mesmo com a forte elevação nos preços da oleaginosa, a margem de lucro das indústrias segue crescente, devido ao alto repasse nos valores de farelo de soja, que estão sendo sustentados pelas aquecidas demandas doméstica e externa. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume médio diário de embarque de soja nos 10 primeiros dias úteis de fevereiro é de 114 mil toneladas, 60,3% superior ao de janeiro. Para o farelo de soja, o volume médio é de 63,4 mil toneladas, 23,6% acima do verificado no mês anterior. Apenas nos últimos sete dias, os preços de farelo de soja registram alta de 5,4%. Para o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), a alta é de 1%, a R$ 2.729,35 por tonelada. Na Bolsa de Chicago, o contrato Março/2018 do farelo de soja apresenta alta de 0,8% nos últimos sete dias, indo para US$ 415,46 por tonelada. Em relação ao óleo de soja, o contrato de mesmo vencimento registra avanço de 1,1%, a US$ 706,35 por tonelada.

 

No campo, as recentes chuvas interromperam os trabalhos nas Regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil e o excesso de umidade já causa grandes preocupações quanto à qualidade da safra. Os produtores de Mato Grosso estão bastante preocupados, visto que a baixa qualidade reduz a proteína do farelo e prejudica também a produção do óleo de soja. Em Mato Grosso, 58% da área havia sido colhida até o dia 23 de fevereiro, 6,9% do registrado no mesmo período de 2017. As regiões do oeste (68,39%) e médio-norte (64,4%) estão mais avançadas com os trabalhos de campos no Estado. No Paraná, 9% da área foi colhida até o dia 19 de fevereiro. Em relação à qualidade das lavouras, 54% estão em fase de maturação e destas, 86% estão em condições boas e 14%, médias. Do total da safra 2017/2018, apenas 15% foi comercializada. No Rio Grande do Sul, o clima nas próximas semanas será fundamental para determinar o potencial da safra do Estado. Enquanto na região norte a safra apresenta boa qualidade, há preocupações quanto à produtividade na região sul do Estado. O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor de soja do Brasil.

 

A partir de agora, o setor fica atento à possibilidade de novas chuvas em muitas regiões produtoras. Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), previsões climáticas indicam 80% de probabilidade de precipitações em praticamente todo Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e parte de São Paulo. Para o Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a previsão é de pancadas de chuvas isoladas. Para a Argentina, as condições seguem desfavoráveis. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires, em relatório divulgado na quinta-feira (22/02), aponta que o clima seco e as elevadas temperaturas no país seguem afetando a produção de soja em quase todo o centro e sul da região agrícola. A safra já teve danos irreversíveis e que podem se acentuar nos próximos dias. A estimativa de produção foi reduzida em três milhões de toneladas, somando agora 47 milhões de toneladas de soja. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.