ESPECIALISTA EM COMMODITIES
DESDE 1989

Atendimento

33 3331 1000

CHARBEL NEWS

Soja

Tendência de altista para a soja no Brasil

12/03/2018 - 8h52

Os preços da soja continuam muito firmes, por conta principalmente da quebra confirmada da safra Argentina.

Uma ótima semana  ! 

Charbel Felipe Silva 

Tendência altista para os preços da soja no Brasil

A tendência é altista para os preços da soja no Brasil, com vendedores retraídos no Brasil, futuros mais elevados em Chicago, demanda interna aquecida e quebras expressivas na safra 2017/2018 da Argentina. A quebra na produção de soja na Argentina, a firme demanda externa pela oleaginosa brasileira e a maior procura doméstica por farelo de soja têm impulsionado os preços internos do complexo soja. Enquanto as efetivações para entrega no spot no curto prazo estão lentas, devido à baixa oferta de caminhões, o fechamento de contratos a termo para entregas entre abril e maio apresentam maior liquidez. Mesmo com os preços em alta, parte dos produtores/vendedores está mais retraída do mercado, especialmente porque os valores FOB indicam patamares ainda mais atrativos nos próximos meses. Enquanto no spot os preços estão sendo negociados na faixa de R$ 80,00 por saca de 60 Kg, a paridade de exportação indica R$ 83,38 por saca de 60 Kg para abril/2018 e acima de R$ 84,00 por saca de 60 Kg a partir de junho/2018, calculado com base no dólar futuro negociado na B3.

 

A retração de vendedores domésticos, inclusive, foi reforçada após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduzir, na quinta-feira (08/03), a oferta mundial da oleaginosa em 1,7% sobre o relatório anterior e em 3,0% frente à safra passada. A estimativa agora é que a produção mundial fique em 340,8 milhões de toneladas. A menor oferta global se deve à queda na produção da Argentina, que agora está estimada em 47 milhões de toneladas, expressivos 18,7% inferior à estimava anterior e o menor volume desde a temporada 2011/2012. A Bolsa de Buenos Aires, por sua vez, reduziu ainda mais as estimativas de produção para o país, estimando apenas 42 milhões de toneladas. Com isso, a produção e exportações de farelo e óleo devem ceder. Com a menor oferta de derivados na Argentina, as indústrias brasileiras estão na expectativa de ganhar espaço nas exportações. As exportações de grão do Brasil devem somar 68 milhões de toneladas em 2018.

 

No campo, a colheita segue avançando devido à melhora nas condições climáticas. Quanto aos preços, nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta avanço de 1,5%, cotado a R$ 80,01 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra alta de 2,1% nos últimos sete dias, a R$ 74,35 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram alta de 2,2% tanto no mercado de balcão (preço pago ao produtor) quanto no mercado de lotes (negociações entre empresas). Em relação aos derivados, nos últimos sete dias, os preços de farelo de soja apresentam avanço de 1,9%. Para o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), o preço registra leve valorização de 0,1% nos últimos sete dias, a R$ 2.695,76 por tonelada.

 

Quanto aos preços em Chicago, além do aumento nos estoques de soja, a nova taxação de importação de aço (25%) e de alumínio (10%) nos Estados Unidos repercutiu negativamente nas relações comerciais com a China, a qual é uma das principais exportadoras de aço e alumínio, mas principal importadora mundial de soja. Esse cenário enfraqueceu as cotações do grão e derivados na Bolsa. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja (Março/2018) registra recuo de 0,4% nos últimos sete dias, a US$ 10,53 por bushel. No mesmo comparativo, o contrato Março/2018 do farelo de soja registra queda de 3,4%, indo para US$ 419,54 por tonelada. Em relação ao óleo de soja, o contrato de mesmo vencimento apresenta recuo de 1,4% no mesmo comparativo, a US$ 698,20 por tonelada. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.