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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência de estabilidade com avanço da colheita

26/03/2018 - 8h56

Os preços da soja estabilizam, mas os fundamentos são firmes, com os maiores prêmios (adicional extra para exportar) pagos desde 2004, dentre outros.

Uma ótima semana !

Charbel Felipe Silva 

Tendência de estabilidade com avanço da colheita

Os prêmios elevados nos portos brasileiros, tanto para a soja em grãos como para o farelo, estão limitando a pressão baixista sobre os preços internos, decorrente do avanço da colheita da safra 2017/2018 no Brasil. A quebra ampliada na safra da Argentina também dá sustentação aos preços internacionais, que sofrem pressão da disputa comercial entre Estados Unidos e China. A entrada da safra de soja está se intensificando no Brasil, cenário que tem pressionado as cotações da oleaginosa. O clima favorece a colheita, que já está na reta final em Mato Grosso e em parte do Paraná, e as expectativas de produtividade elevada na atual temporada vão se confirmando. Em Mato Grosso, a colheita se aproxima do final, mas ainda está 5 pontos percentuais abaixo do colhido no mesmo período do ano anterior. No Paraná, restam 20% da área para colher. Das lavouras, 90% estão em boas condições e 10%, médias, com 72% em fase de maturação.

 

No Rio Grande do Sul, a colheita se aproxima de 20% da área. Na região norte do Estado, a produtividade superou a expectativa inicial. As lavouras superaram a fase vegetativa, com apenas 1% em fase de floração, 50%, de enchimento de grãos e 36%, em maturação. Em Mato Grosso do Sul e em Goiás, a colheita também está avançada, enquanto em São Paulo e em Minas Gerais as atividades se aproximam da metade da área. Atentos à safra volumosa, uma parcela de compradores reduziu as aquisições, à espera de queda nos valores nas próximas semanas. Entretanto, grande parte dos produtores negocia poucos volumes a valores menores, a fim de fazer caixa e, em seguida, elevam os preços pedidos, fundamentados nas expectativas de aumento na demanda externa, por conta da menor safra na Argentina. Nesse cenário, verifica-se maior disparidade entre os preços de compradores e de vendedores.

 

A Bolsa de Cereis de Buenos Aires reduziu ainda mais as estimativas de produção na Argentina, agora para 39,5 milhões de toneladas, 31% abaixo da safra passada. Além disso, as relações comerciais seguem incertas entre os Estados Unidos e a China. Após os Estados Unidos terem imposto taxa de importação sobre o aço e o alumínio, a China analisa colocar taxas sobre a importação de soja norte-americana, cenário que pode beneficiar as exportações brasileiras. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), na primeira quinzena de março, a média diária de exportação de soja brasileira está 9,6% maior que a do mesmo período de 2017 e as de farelo de soja, 50,7% superiores. Com isso, o prêmio de exportação do complexo soja no Brasil segue elevado, limitando as quedas dos preços domésticos. Neste mês, os prêmios da soja em grão e dos derivados para embarque em abril estão superiores aos verificados em março de anos anteriores para o mesmo embarque. No caso do farelo, os prêmios são os maiores desde 2015 e, para o óleo, desde 2008.

 

Para soja em grão, os prêmios são os maiores da série histórica, iniciada em 2004. O prêmio de exportação de farelo de soja no Porto de Paranaguá (PR), para embarque em abril/2018, teve vendedor a US$ 5,54 por tonelada. Para a soja em grão, o embarque em abril/2018 tem prêmio de +US$ 1,00 por bushel, enquanto no mesmo período do ano passado, vendedores ofertavam US$ 0,40 por bushel. Desta maneira, o valor FOB para embarque em abril/2018 do farelo de soja é de US$ 411,71 por tonelada, leve alta de 0,6% nos últimos sete dias. Para a soja, o contrato de mesmo vencimento registra alta de 0,4%, a US$ 24,89 por saca de 60 Kg. O preço FOB do óleo de soja apresenta leve queda de 0,8%, para US$ 753,76 por tonelada. A alta no preço FOB foi limitada pela queda na Bolsa de Chicago. Nos últimos sete dias, o primeiro vencimento da soja (Maio/2018) registra baixa de 1,1%, a US$ 10,29 por bushel. No mesmo comparativo, o contrato Maio/2018 do farelo de soja registra recuo de 0,8%, para US$ 405,65 por tonelada. O contrato de mesmo vencimento do óleo de soja acumula queda de 0,6%, para US$ 702,83 por tonelada.

 

No Brasil, nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 0,6%, cotado a R$ 78,85 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 1,0% nos últimos sete dias, a R$ 73,04 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram baixa de 0,3% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,9% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Em relação aos derivados, os preços de farelo de soja apresentam recuo de 0,8% nos últimos sete dias. Para o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), a baixa é de 0,7% no período, a R$ 2.605,54 por tonelada. A oscilação cambial influenciou maiores negócios nos últimos dias, principalmente quando o dólar se aproximou dos R$ 3,30. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria