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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência é altista com produtor reduzindo oferta

02/04/2018 - 10h37

Os fundamentos altista da soja continuam .

Um ótima semana !

Charbel Felipe 

Tendência é altista com produtor reduzindo oferta

A tendência é de alta dos preços da soja no mercado brasileiro, com a projeção de redução de área na safra 2018/2019 nos Estados Unidos, dólar firme ao redor dos R$ 3,30, prêmios em patamares recordes nos portos brasileiros e quebra acentuada na safra da Argentina. O relatório trimestral sobre as intenções de plantio divulgado na quinta-feira (29/03) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou uma área plantada com soja no país 1,3% menor na temporada 2018/2019 em relação ao ciclo anterior. As cotações futuras reagiram e os preços nos portos brasileiros atingiram o maior patamar deste ano de 2018. Os produtores, após terem feito caixa nas duas últimas semanas, estão retraídos das vendas envolvendo grandes lotes, fazendo com que os compradores paguem mais pela oleaginosa. Nesse cenário, no Porto de Paranaguá (PR), o valor médio da soja no mês de março supera em 6% o de fevereiro e é o maior desde setembro/2016, em termos reais (IGP-DI fevereiro/2018).

 

A firme demanda externa, especialmente da China (pelo grão) e da Coreia do Sul (para o farelo), também deu suporte aos prêmios de exportação e, consequentemente, aos valores domésticos. Parte das tradings precisou completar cargas de navios nos últimos dias, cenário que aumentou as negociações da soja já transferida no Porto de Paranaguá (PR), modalidade pouco utilizada hoje em dia. Isso porque a China, que adquire 60% da produção global, pode aumentar ainda mais as importações do grão brasileiro. Antes mesmo das conturbações comerciais entre os Estados Unidos e a China, o Brasil enviou à China mais da metade de seu consumo, enquanto os norte-americanos enviaram apenas 33%. O prêmio de exportação de soja no Porto de Paranaguá, para embarque em abril/2018, está cotado a +US$ 1,10 por bushel. Desta maneira, a cotação FOB para embarque de primeiro vencimento da soja subiu 5,1% de fevereiro para março, para US$ 24,95 por saca de 60 Kg na média do mês.

 

Para o farelo de soja, o contrato de mesmo vencimento registrou alta de 5,7%, para US$ 411,67 por tonelada. O preço FOB do óleo de soja avançou apenas 0,1% no comparativo mensal, para US$ 755,58 por tonelada. No porto de Paranaguá, a paridade de exportação indica preços acima de R$ 82,50 por saca de 60 Kg, para entrega entre abril e maio e mais que R$ 84,50 por saca de 60 Kg a partir do segundo semestre. Mesmo com a paridade indicando preços maiores, nos últimos sete dias, alguns produtores deram preferência para as negociações com entrega em curto e médio prazos, devido às expectativas de maior área a ser semeada com soja nos Estados Unidos. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra alta de 2,1% nos últimos sete dias e de 6,0% comparando-se as médias de fevereiro e março, a R$ 73,57 por saca de 60 Kg. Considerando-se as variações semanais e mensais, as cotações da oleaginosa registram aumentos de 1,5% e de 6,9% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,8% e 5,3% no mercado de lotes (negociações entre empresas).

 

Quanto aos preços do farelo de soja, a elevação é de 1,4% nos últimos sete dias e de 8,5% entre as médias de fevereiro e março. Praticamente todas as regiões registraram, na média de março, os maiores patamares desde agosto de 2016. Para o óleo de soja, embora os preços registrem alta de 2,1% nos últimos sete dias, na média mensal, os preços cederam 1,9% (posto em São Paulo com 12% de ICMS), a R$ 2.660,81 por tonelada. O clima no Brasil segue beneficiando a colheita. Em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Paraná, as atividades estão praticamente finalizadas. Na Região Sudeste, a colheita caminha para a reta final e, nas Regiões Norte e Nordeste, 30% da área semeada havia sido colhida até a semana passada. No Rio Grande Sul, o ritmo das atividades está lento, devido às recentes chuvas que têm interrompido os trabalhos de campo. Alguns produtores estimam quebra na produtividade diante das irregularidades climáticas no período crítico de desenvolvimento. Ainda assim, a safra deve ser volumosa.

 

No Paraná, a colheita totalizou 81% da área até o dia 26 de março. Quanto à área ainda a ser colhida, 89% estão em boas condições e 11%, médias, com 84% em fase de maturação. Em Mato Grosso, 94,4% da área já havia sido colhida. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires manteve a estimativa de produção em 39,5 milhões de toneladas do grão, volume 31,3% inferior ao da safra passada. A colheita já se iniciou, atingindo 8,8% da área, uma vez que o clima desfavorável durante grande parte do ciclo da cultura acelerou o desenvolvimento do grão. A falta de chuvas nos últimos dias também contribuiu para que a colheita avançasse rapidamente no centro da região agrícola, aumentando o risco de perda de produtividade no norte do país, onde a maior parte da área semeada transita em estágios críticos de reprodução. Nas regiões de San Luis, Córdoba, Santa Fé, Entre Rios, Buenos Aires e La Pampa, onde a semeadura foi mais tardia, as baixas temperaturas prejudicam o fim do enchimento de grãos. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.