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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência é altista para a soja com avanços do prêmio

09/04/2018 - 9h57

Os preços do complexo soja ( grão, farelo e óleo ), fecharam a semana em alta, e vão continuar firmes. 

Uma Ótima semana !

Charbel Felipe Silva 

Tendência altista para soja com avanço de prêmios 

A tendência é altista para os preços da soja e dos derivados, especialmente o farelo, no mercado brasileiro. Com as quebras na safra da Argentina e a disputa comercial entre China e Estados Unidos, os importadores se voltam ao Brasil e os prêmios seguem subindo nos portos do País, compensando eventuais quedas dos futuros em Chicago. Os prêmios de exportação do complexo soja subiram significativamente nos últimos sete dias, atingindo os maiores patamares da série iniciada em 2004, quando considerado o contrato para entrega em maio, nos meses de abril. Analisando-se a série contínua, os preços em plena safra estão nos mesmos patamares dos verificados em agosto e setembro (período de entressafra) de 2014, 2012 e 2009, quando estavam nos maiores níveis da série. Esse cenário refletiu em negociações de soja a preços mais elevados. As médias da oleaginosa atingiram as máximas desde agosto de 2016, período em que a soja estava sendo negociada acima de R$ 90,00 por saca de 60 Kg.

 

O prêmio de exportação de soja no Porto de Paranaguá (PR), para embarque em maio/2018, está cotado a +US$ 1,83 por bushel, enquanto no mesmo período do ano passado, o contrato de vencimento maio/2017 estava sendo ofertado a +US$ 0,29 por bushel. Para o farelo de soja e para o óleo de soja, os prêmios também estão em alta. Desta maneira, a cotação FOB para embarque em maio/2018 da soja registra forte alta de 6,9% nos últimos sete dias, a US$ 27,13 por saca de 60 Kg, resultando em paridade de exportação a R$ 90,75 por saca de 60 Kg. Como resultado, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta forte avanço de 4,7% nos últimos sete dias, cotado a R$ 84,19 por saca de 60 Kg, o maior patamar desde julho de 2016, em termos reais (deflacionados pelo IGP-DI de fevereiro).

 

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra alta significativa de 4,1% nos últimos sete dias, a R$ 78,10 por saca de 60 Kg, o maior patamar desde agosto de 2016, em termos reais. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa apresentam alta de 2,5% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 2,7% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Quanto aos preços do farelo de soja, a elevação é de 2,1% nos últimos sete dias. Para o óleo de soja, a alta é de 3,0% (em São Paulo com 12% de ICMS), para R$ 2.698,06 por tonelada. A alta está atrelada a preocupações sobre a relação comercial entre os Estados Unidos e a China. Vale ressaltar que, caso as tarifas chinesas sejam sancionadas, a oleaginosa brasileira pode ficar ainda mais atrativa ao país asiático, uma vez que a Argentina, terceiro maior exportador de soja, não tem condições de ofertar grandes lotes no mercado internacional, devido à quebra de safra.

 

Na quinta-feira (05/04), a Bolsa de Cereais de Buenos Aires reduziu ainda mais as estimativas de produção, agora estimada em 38 milhões de toneladas, ante 57 milhões de toneladas na safra passada. Além disso, a alta do dólar, que ultrapassou os R$ 3,35 ao longo da semana, elevou o interesse de compradores estrangeiros. A moeda norte-americana atingiu o maior valor desde maio de 2017. Embora o volume de embarque de soja em grão esteja aquecido, no primeiro trimestre de 2018, o Brasil exportou 13,24 milhões de toneladas de soja, 1,2% inferior ao do primeiro trimestre de 2017. Isso porque, neste ano, a China importou do Brasil volume 4% abaixo do adquirido em 2017. Ainda assim, das vendas brasileiras, 78,7% tiveram como destino a China. O preço médio recebido pelas vendas do grão em março foi de R$ 76,62 por saca de 60 Kg, este valor é 3,2% acima do preço médio de fevereiro e 3,8% a mais que o preço médio recebido em março/2017.

 

De farelo de soja, no primeiro trimestre de 2017, o Brasil embarcou 3,8 milhões de toneladas, 16,7% superior ao volume exportado no mesmo período de 2017, recorde para este período. A Tailândia e a Holanda foram os principais importadores de farelo de soja neste trimestre. As compras da Tailândia cresceram 40,2% e as da Holanda, 7,2%. O valor médio recebido pelas exportações de farelo foi de R$ 1.255,72 por tonelada, 9,0% a mais que em fevereiro e 7,2% acima do de março de 2017. Quanto ao óleo de soja, as vendas externas somaram 282 mil toneladas no primeiro trimestre deste ano, 13,5% a mais que o embarcado no mesmo período de 2017 e o maior volume enviado ao exterior desde 2012, considerando-se este mesmo período. O óleo brasileiro teve como principal destino a Índia, que adquiriu 58,7% a mais do produto que no primeiro trimestre de 2017. O valor recebido pelas vendas externas do óleo foi de R$ 2.456,00 por tonelada em março, 0,8% superior ao mês anterior e 4,2% a mais que em março/2017. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.