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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência é de sustentação para os preços da soja

23/04/2018 - 9h19

Os novos patamares de preços atingidos pelo soja , e por consequência seus derivados, principalmente por conta da quebra da safra Argentina , terceiro maior produtor global ,estão consolidadas .Charbel Felipe Silva  

Tendência é de sustentação para os preços da soja

A tendência é de preços sustentados para a soja no mercado brasileiro, em decorrência da quebra expressiva da safra da Argentina, que é o 3º maior produtor global e o maior exportador mundial de farelo e óleo de soja, do aumento das exportações brasileiras de farelo de soja, das cotações futuras em Chicago sustentadas em patamares ao redor dos US$ 10,50 por bushel para todos vencimentos de 2018 e dos prêmios elevados nos portos brasileiros em plena colheita da safra 2017/2018. A forte alta nos prêmios de exportação de farelo e de óleo de soja nos últimos dias impulsionou os valores domésticos destes derivados e limitou a queda nos preços do grão. Considerando-se os contratos de anos anteriores de maio negociados nos meses de abril, o patamar verificado para o prêmio de farelo de soja foi o maior desde 2009, enquanto para o óleo foi um recorde para o período.

 

Com a quebra na safra de soja na Argentina, as indústrias brasileiras têm expectativa de ganhar maior fatia nas comercializações internacionais dos derivados. Na Argentina, a colheita atinge 40% da área. A produção segue estimada em 38 milhões de toneladas, com rendimento abaixo da média das últimas cinco safras. A valorização dos derivados no Brasil, no entanto, acabou limitada pela menor demanda interna. Para o farelo, consumidores domésticos indicam ter estoques curtos, mas preferem comprar o insumo aos poucos, para consumo imediato. Isso porque, além de os preços estarem elevados, muitos suinocultores e avicultores estão com margens reduzidas e/ou negativas. Quanto ao óleo, as compras por parte do segmento de biodiesel estão enfraquecidas. Neste caso, verifica-se disparidade entre valores de compra e venda, mas, no geral, os negócios ocorrem em patamares ofertados pela indústria.

 

Nos últimos sete dias, os preços de farelo de soja subiram 1,4%. Para o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), a alta é de 0,8% no mesmo período, a R$ 2.717,67 por tonelada. Os prêmios de exportação de farelo de soja no Porto de Paranaguá (PR) e os prêmios de óleo de soja seguem firmes. Quanto ao grão, para embarque em maio/2018, a cotação é de +US$ 1,24 por bushel. Ainda assim, os valores FOB da soja, do farelo e do óleo, referentes ao embarque em maio/2018, registram queda nos últimos sete dias, pressionados pelos recuos do dólar e na Bolsa de Chicago. Para o grão, a baixa é de 1,8%, para o farelo, de 1,2%, e para o óleo, de 0,2%. A paridade de exportação, por outro lado, indica desaceleração nos preços de farelo e de óleo de soja nos próximos meses, mas sinaliza alta nos do grão, especialmente no segundo semestre.

 

Para o embarque agosto/2018, a paridade de exportação, calculada com o dólar futuro de R$ 3,42 na B3, está em R$ 90,45 por saca de 60 Kg. Com isso, grande parte dos produtores se retraiu das vendas envolvendo grandes lotes, mostrando preferência por negociar o remanescente da safra no segundo semestre. Além disso, a falta de espaço nos portos limitou a liquidez do grão nos últimos sete dias. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,9%, cotado a R$ 84,99 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 1,5% nos últimos sete dias, a R$ 78,89 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da soja em grão registram recuo de 0,8% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,1% no mercado de lotes (negociações entre empresas).

 

Além disso, a pressão no mercado do grão também veio do aumento no volume ofertado diante da finalização da colheita. A chuva deu trégua nas Regiões Norte e Nordeste, permitindo o avanço das atividades. Os estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás já estão com a colheita praticamente finalizada. No Rio Grande do Sul, o clima permitiu avanço de 13% em apenas uma semana, com 65% da área colhida. A área colhida no Estado apresenta produtividade acima da esperada. Nos Estados Unidos, preocupações quanto ao clima desfavorável ao plantio de milho podem influenciar alguns produtores a substituir parte da área do cereal pela oleaginosa, já que o semeio da soja é mais tardio e pode não ser afetado pelas baixas temperaturas. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.