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CHARBEL NEWS

Soja

Os preços da soja baixaram nos últimos dias

18/06/2018 - 9h38

Os preços da soja baixaram nos últimos dias por conta da "briga "USA x China , greve e prêmios. O preço do óleo,esta um pouco descolado desse cenário,  em especial pelo considerável aumento do frete . Charbel Felipe

Tendência é baixista para a soja no curto prazo

Os preços da soja estão próximos do suporte de US$ 9 por bushel e podem atrair compradores no mercado futuro. Na sexta-feira (15/06), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam em forte baixa, com o vencimento julho/2018 caindo 21,75 cents (2,35%), para US$ 9,05 por bushel. O acirramento da disputa entre China e Estados Unidos está pressionando as cotações futuras na Bolsa de Chicago. Na sexta-feira (15/06), o governo dos Estados Unidos anunciou que vai impor a tarifa de 25% sobre US$ 50 bilhões nas importações chinesas. Em contrapartida, a China prometeu retaliar do mesmo modo. A pressão baixista veio com a combinação de queda dos futuros, prêmios mais baixos nos portos brasileiros e aumento nos custos dos fretes até os portos. No médio prazo, a tendência deve voltar a ser altista para os preços da soja no mercado brasileiro. Com a disputa entre Estados Unidos e China, os prêmios devem voltar a subir nos portos brasileiros.

 

A cotação em Paranaguá, que estava em +US$ 0,75 por bushel, subiu para +US$ 1,15 por bushel para embarque em julho, +US$ 1,30 por bushel para agosto e +US$ 1,40 por bushel para setembro. Os recuos nos valores externos, a desvalorização do dólar frente ao Real, a menor liquidez e estimativas indicando maior produção no Brasil resultaram em forte queda nos preços domésticos do complexo soja nos últimos dias. Diante disso, e da indefinição dos fretes mínimos, muitos produtores estão fora do mercado, preferindo deixar o remanescente da safra estocado. Vale ressaltar que boa parte da safra já havia sido negociada até o final de maio. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo significativo de 5,6%, cotado a R$ 82,78 por saca de 60 Kg.

 

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra forte queda de 5,3% nos últimos sete dias, a R$ 76,42 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram baixa de 4,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 5,0% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Quanto aos derivados, nos últimos sete dias, os preços de farelo de soja registram recuo de fortes 3,3%. Para o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), a queda é de 2% no mesmo período, a R$ 2.725,52 por tonelada. O USDA revisou a safra 2017/2018 da Argentina em 37 milhões de toneladas, a menor desde a temporada 2008/2009, sendo 36% inferior à do ano anterior, resultando em menor estoque de passagem em cinco anos. Para suprir a demanda para esmagamento, as indústrias argentinas precisarão importar 3,3 milhões de toneladas de soja em grão, um recorde para o país, que é o terceiro maior produtor mundial da oleaginosa.

 

A Bolsa de Buenos Aires estima produção da Argentina ainda menor, a 36 milhões de toneladas. Deste total, 95,6% foram colhidas até o dia 14 de junho, confirmando a baixa produtividade. Ainda assim, a Argentina segue como a principal exportadora de farelo e de óleo de soja. As transações mundiais de farelo de soja devem ser de 60,92 milhões de toneladas na temporada 2017/2018, aumento de 0,66% frente à temporada anterior. Desde total, a Argentina deve ser responsável pelo escoamento de 47% (queda de 5% neste ano-safra), o Brasil por 26% (+ 2,9%) e os Estados Unidos, por 20% (+ 2,1%). Embora o Brasil tenha expectativa de conseguir maior fatia das exportações de farelo de soja, indústrias nacionais estão preocupadas com a demanda doméstica, especialmente por parte do setor de aves. Após perdas acumuladas ao longo de vários meses, agentes da cadeia de avicultura de corte se preocupam, agora, com as incertezas relacionadas às transações no mercado internacional.

 

Recentemente, a China, o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, colocou em vigor sobretaxas provisórias sobre a proteína de frango brasileira, que podem variar de 18,8% a 38,4%. Diante das boas condições climáticas e incertezas quanto aos embarques de grão, os preços futuros caíram nos Estados Unidos. Além disso, a confirmação de que o país norte-americano impôs taxa de importação a produtos da China também influenciou o mercado. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja (Julho/2018) registra recuo de 4,8% nos últimos sete dias, cotado a US$ 9,05 por bushel. No mesmo comparativo, o contrato Julho/2018 do farelo de soja registra queda de 4,2%, para US$ 378,31 por tonelada. Em relação ao contrato Julho/2018 do óleo de soja, a desvalorização é de 1,5% nos últimos sete dias, para US$ 664,47 por tonelada. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.