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CHARBEL NEWS

Soja

Mercado muito firme para a soja no Brasil

25/06/2018 - 8h59

Mercado muito firme para a soja no Brasil, em especial por conta do "impasse" sobre a tabela de frete. A comercialização do óleo ainda não se ajustou totalmente as novas realidades do transporte, dessa forma segue parcialmente "travada". Charbel Felipe Silva 

Tendência altista para a soja com prêmios subindo

Com a acentuada alta dos prêmios nos portos brasileiros e forte interesse de compra pela soja brasileira, a tendência é altista para os preços internos no curto e médio prazos. Quando a situação de escoamento da safra retomar a normalidade, haverá grande interesse em originação de soja no interior e forte demanda de embarque nos portos, que está represada. O prêmio de exportação do complexo soja registra forte alta no Brasil nos últimos sete dias, impedindo o repasse das baixas internacionais e do dólar aos valores domésticos. Nos portos brasileiros, os prêmios pagos sobre o produto nacional aumentaram. As indicações de prêmio no Porto de Paranaguá chegaram a US$ 1,95 por bushel (para venda) e US$ 1,75 por bushel (para compra) sobre o valor do contrato da oleaginosa com vencimento em agosto. Para o setembro, a indicação de venda supera os US$ 2 por bushel para venda. Além disso, os produtores brasileiros estão retraídos nas vendas da oleaginosa, uma vez que já escoaram grande parte da safra 2017/2018 e comercializaram uma parcela da 2018/2019 a preços mais elevados.

 

A oferta de soja também está menor devido à indefinição da tabela de frete mínimo, que segue limitando os negócios. Ao mesmo tempo em que produtores não querem se responsabilizar pelo frete, tradings indicam preferência por negociar CIF. No entanto, como há navios aguardando para serem carregados com soja nos portos e há indústrias com baixo estoque do grão, alguns compradores têm cedido e assumido o custo do frete, mas os lotes negociados são pontuais, apenas para cumprir compromissos imediatos. As empresas com caminhões próprios têm sido mais beneficiadas nos atuais fechamentos. O valor FOB para embarque em Julho/2018 da soja avançou 0,3%, a US$ 23,14 por saca de 60 Kg. O preço FOB para o contrato de mesmo vencimento do óleo de soja registra alta expressiva de 3,1%, enquanto o farelo de soja, apresenta recuo de 1,7%.

 

Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 1,5%, cotado a R$ 84,04 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 2,2% nos últimos sete dias, a R$ 78,13 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram avanço de 0,1% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,7% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Quanto aos derivados, os preços de farelo de soja apresentam queda de 1% nos últimos sete dias. Para o óleo de soja (posto de São Paulo, com 12% de ICMS), houve leve queda de 0,4% no mesmo período, a R$ 2.715,55 por tonelada. A queda externa foi pressionada pelo clima favorável ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas e pelo embate comercial entre os Estados Unidos e a China.

 

A China anunciou a taxação da soja norte-americana, em retaliação às tarifas na importação de produtos chineses. Com isso, o contrato de primeiro vencimento na Bolsa de Chicago voltou a ser negociado abaixo dos US$ 9,00 por bushel, cenário que não era observado desde março/2016. O contrato Julho/2018 registra recuo significativo de 5% nos últimos sete dias, a US$ 8,80 por bushel. No mesmo comparativo, o contrato de Julho/2018 do farelo de soja apresenta queda de 3,3%, indo para US$ 365,74 por tonelada. Em relação ao contrato Julho/2018 do óleo de soja, há desvalorização de 3,2%, a US$ 643,52 por tonelada. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que, até o dia 17 de junho, 97% da área já havia sido semeada nos Estados Unidos, acima dos 91% na média dos últimos cinco anos. Do total semeado, 73% estão em condições entre boas e excelentes (ante 67% há um ano), 22%, em condições médias e apenas 5%, ruins.

 

Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, na Argentina, dos 18 milhões de hectares semeados com soja, 97,1% foram colhidos até o dia 21 de junho. No campo brasileiro, o vazio sanitário começou em 10 de junho no Paraná e em 15 de junho em São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, devendo durar de 60 a 90 dias. No Distrito Federal, em Minas Gerais, Tocantins e Goiás, o período de vazio sanitário começa em 1º de julho. Na Bahia e em parte do Maranhão, o plantio da soja é mais tardio. Com isso, o vazio sanitário deve começar em 15 de agosto. Outras cidades do Maranhão (Baixada Maranhense, Caxias, Chapadinha, Codó, Coelho Neto, Boa Vista do Gurupi, Itapecuru Mirim, Pindaré, Presidente Dutra e Rosário, além de Paço do Lumiar, Raposa, São José de Ribamar e São Luís) tem início em 15 de setembro. Os produtores do Rio Grande do Sul pensam em adotar o vazio sanitário. O Estado não tem uma legislação que obrigue a prática, mas os produtores sabem dos prejuízos que as doenças podem causar. Na temporada passada, o Estado teve a maior ocorrência de ferrugem asiática. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.