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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência de alta da soja no Brasil com prêmios e dólar

02/07/2018 - 8h54

A tendência de alta da soja continua no Brasil, com alta do dólar e prêmios. Charbel Felipe 

Tendência de alta para a soja com prêmios e dólar

A tendência é altista para os preços da soja no mercado brasileiro, com a alta do dólar no Brasil e a elevação dos prêmios nos portos brasileiros. Mesmo com a queda dos preços internacionais, a alta do dólar e o forte ritmo das exportações brasileiras darão sustentação aos preços da soja, com viés altista para o segundo semestre de 2018. Quando a situação de escoamento da safra retomar plena normalidade, haverá grande interesse em originação de soja no interior e forte demanda de embarque nos portos, que está represada. O prêmio de exportação do complexo soja registra forte alta no Brasil nas últimas semanas, a fim de compensar parcialmente os recuos dos futuros, reflexo da disputa comercial entre Estados Unidos e China. Mesmo com a continuidade das quedas nos valores internacionais, os preços da soja em grão registram alta no mercado doméstico nos últimos sete dias. O impulso veio da valorização do dólar, da alta do prêmio de exportação e da menor disponibilidade interna, visto que parte dos produtores não tem interesse de venda.

 

O dólar terminou a sexta-feira (29/06) em alta e se reaproximando dos R$ 3,90, nível que ultrapassou no começo do mês de junho e obrigou o Banco Central a promover intervenções mais intensas para tentar conter a volatilidade e prover liquidez ao mercado cambial. O nervosismo deve continuar no mercado no segundo semestre, diante da indefinida eleição presidencial doméstica, dos temores com a guerra comercial dos Estados Unidos com seus parceiros e ainda a trajetória de alta de juros norte-americanos. O dólar avançou 0,56%, para R$ 3,8773 na venda, acumulando elevação de 2,49% na última semana. O dólar terminou junho com valorização de 3,76%, no quinto mês seguido de elevação, acumulando no primeiro semestre de 2018 valorização de 16,98%. Depois de ter caído 0,43% nos três primeiros meses do ano, o dólar ficou 17,49% mais caro de abril a junho. O viés do câmbio é de alta.

 

No acumulado de junho, no entanto, os preços da soja registram queda frente a maio, após terem subido por quatro meses consecutivos. Em junho, o dólar registrou média R$ 3,77, sendo 3,8% superior à média de maio e a maior desde fevereiro/2016, de R$ 3,97. Quanto ao prêmio de exportação de soja, no Porto de Paranaguá (PR), para embarque em julho/2018, está cotado a +US$ 1,85 por bushel. Como comparação mensal, no dia 1º de junho, o contrato de mesmo vencimento teve vendedor a +US$ 0,87 por bushel. Os prêmios de óleo e do farelo de soja também registraram avanço em junho. Mesmo com as recentes altas nos prêmios, o FOB para embarque em julho/2018 da soja no Porto de Paranaguá (PR) recuou 5,1% no mês de junho, a US$ 23,08 por saca de 60 Kg. O preço FOB para o mesmo embarque do óleo de soja cedeu 3,8%, enquanto para o farelo de soja a queda foi de 7,2%. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta avanço de 1,6%, cotado a R$ 85,39 por saca de 60 Kg.

 

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra alta de 2,2% nos últimos sete dias, a R$ 79,83 por saca de 60 Kg. As médias destes Indicadores de junho estiveram 1,6% e 2,5%, respectivamente, inferiores às de maio. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram alta de 1,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 2,6% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Quando consideradas as médias de maio para junho, houve queda de 4,2% no mercado de balcão e de 3,6% no mercado de lotes. No geral, os vendedores negociam apenas lotes pequenos e estão fora de mercado para grandes volumes. Esses agentes já negociaram grande parte da safra e seguem atentos às negociações de contrato a termo, uma vez que têm expectativa de vender a preços maiores a partir de setembro. No Paraná, 61% da safra 2017/2018 já foi comercializada, ante 44% há um ano. Em Mato Grosso, 85,6% da safra 2017/2018 foi vendida até o início do mês, acima dos 78,46% em igual período no ano passado.

 

Para a safra 2018/2019, as comercializações já estão em 20,8% da oferta estimada, contra apenas 4,3% da safra 2017/2018 comercializada até junho/2017. A discussão em relação ao tabelamento de fretes também limita as negociações, diante das incertezas quantos aos impactos nos custos em períodos futuros. Com isso, grande parte das tradings mostra preferência em cumprir contratos e comprar lotes apenas para completar cargas. Há relatos de que tradings estão sem cota nos portos e possuem um volume considerável do grão para levar até o porto. Há, também, atraso na atracação de navios e, consequentemente, de embarques. Parte das indústrias está abastecida com grão e fora de mercado para novas aquisições. Aquelas com necessidade imediata compram em locais próximos e com vendedores que têm frota própria. Quanto aos derivados, a demanda por farelo de soja esteve aquecida na primeira quinzena do mês de junho. No entanto, uma parcela de compradores reduziu as aquisições nas duas últimas semanas do mês passado, cenário que pressionou os valores nos últimos sete dias.

 

Os preços de farelo de soja registram recuo de 0,9% nos últimos sete dias. Para o óleo de soja (posto em São Paulo, com 12% de ICMS), há alta de 0,4% no mesmo período, a R$ 2.725,26 por tonelada. Na comparação entre as médias de maio e junho, a queda foi de 2,1% para o farelo e estabilidade para o óleo de soja. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros do complexo soja foram pressionados por incertezas sobre as aquisições da China pela oleaginosa norte-americana e pela valorização do dólar no mercado internacional. Além disso, o clima favorável ao desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos também influenciou as quedas. O primeiro vencimento da soja (Julho/2018) apresenta queda de 2,2% nos últimos sete dias e de 9,0% no mês de junho, para US$ 8,61 por bushel. O contrato Julho/2018 de farelo de soja registra recuo de 0,1% nos últimos sete dias e de expressivos 9,9% no acumulado de junho, a US$ 365,30 por tonelada. Em relação ao contrato Julho/2018 do óleo de soja, a desvalorização é de 0,6% nos últimos sete dias e de 3,7% entre maio e junho, a US$ 639,55 por tonelada. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.