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CHARBEL NEWS

Soja

Preços da soja em alta , com prêmios subindo

09/07/2018 - 9h05

Preços da soja em alta, com prêmios (um extra) subindo, deixando o produtor e exportador brasileiro com um certo conforto, por ser a melhor opção de compra dos Chineses, diante da briga comercial. Charbel Felipe 

Tendência é altista para soja com prêmios subindo

A tendência é altista para os preços da soja em grãos no mercado brasileiro, mesmo com os recuos dos futuros em Chicago. A imposição de tarifas entre Estados Unidos e China vai elevar ainda mais a demanda por soja brasileira no curto prazo. O dólar está em alta e próximo do patamar de R$ 3,90, com os prêmios nos portos subindo de forma expressiva e já acima dos US$ 2,20 por bushel para os embarques neste segundo semestre. A guerra comercial entre Estados Unidos e China entrou em uma nova fase a partir da última sexta-feira (06/07), quando o governo de Donald Trump confirmou as tarifas sobre produtos chineses, na ordem de US$ 34 bilhões de dólares. Certamente haverá impactos negativos sobre empresas e consumidores norte-americanos e, tudo indica, possível redução das exportações de soja dos Estados Unidos para a China.

 

Com isso, os preços na Bolsa de Chicago cederam e, em contrapartida, os prêmios de exportação no Brasil sobem expressivamente. No médio prazo, provavelmente as dinâmicas de transações externas se ajustarão, com outros importadores que não a China passando a comprar soja norte-americana, provavelmente mais barata, podendo deixar de adquirir do Brasil. No curto prazo, a demanda chinesa por soja norte-americana tende a se deslocar quase que exclusivamente para o Brasil. Outros importadores não devem efetuar mudança de forma tão rápida. Nesse contexto, os prêmios de exportação voltaram ao patamar registrado em setembro de 2014. Para a soja em grão com embarque em agosto/2018 no Porto de Paranaguá (PR), a cotação do prêmio é de US$ 2,28 por bushel. A cotação FOB para embarque em agosto/2018 da soja registra alta de 0,4% nos últimos sete dias, a US$ 23,51 por saca de 60 Kg (base Porto de Paranaguá).

 

Para o óleo de soja, os prêmios também apresentam alta no mesmo comparativo. Para o farelo de soja, os prêmios se mantêm estáveis nos últimos sete dias. O preço FOB para o embarque agosto/2018 do óleo de soja registra queda de 0,1% e o do farelo, 1,4%. As altas dos prêmios também refletiram as quedas observadas na Bolsa de Chicago. Além das tensões entre os Estados Unidos e a China, o clima favorável ao desenvolvimento da oleaginosa também pressiona os futuros. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja (Julho/2018) se aproxima do patamar de US$ 8 por bushel, o que pode começar a atrair mais compradores ao mercado. No mesmo comparativo, o contrato Julho/2018 do farelo de soja registra queda de 1,0%, para US$ 361,77 por tonelada. Em relação ao contrato Julho/2018 do óleo de soja, a desvalorização é de 1,9% nos últimos sete dias, a US$ 627,65 por tonelada.

 

Os preços internos subiram de forma mais expressiva que os valores FOB e câmbio juntos. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, está no maior patamar desde julho de 2016, em termos reais (IGP-DI maio/2018), cotado a R$ 88,09 por saca de 60 kg, avanço de 3,2% no período. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra alta de 1,7% nos últimos sete dias, a R$ 81,22 por saca de 60 Kg. Os vendedores seguem atentos aos problemas logísticos, que também interferem em negociações futuras, e fora de mercado para fechamentos de grandes volumes. Boa parte da safra 2017/2018 já foi negociada, sendo outro aspecto que deixa esses agentes reticentes para novas negociações.

 

No Paraná, 68% da safra 2017/2018 já foi comercializada. Em Mato Grosso, foram negociados 85,6% da safra 2017/2018 e 20% da safra 2018/2019. Quanto aos derivados, as negociações de farelo de soja têm sido apenas pontuais. Devido aos preços ainda elevados, os compradores demonstram interesse em buscar substitutos, como farelos de amendoim e de algodão e torta de algodão. Dessa forma, nos últimos sete dias, os preços de farelo de soja se mantêm estáveis. Para o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), os preços registram recuo de 0,5% no período, para R$ 2.712,89 por tonelada. O Brasil embarcou 10,42 milhões de toneladas de soja em grão em junho, volume 15,7% inferior ao de maio, mas 13,3% superior ao de junho/2017.

 

O preço médio das vendas externas de soja em junho, de R$ 91,44 por saca de 60 Kg, foi o maior desde janeiro/2013, sendo também 3,5% superior ao preço de maio e 26,8% maior que o de junho/2017, considerando-se o dólar médio de R$ 3,78 em junho. Quanto aos derivados, as exportações de farelo de soja totalizaram 1,56 milhão de toneladas em junho, 5,6% inferior ao de maio, mas 12,1% acima do de junho/2017. O valor médio das vendas externas foi de R$ 1.527,77 por tonelada em junho, 2,2% menor que o valor médio de maio, mas 36,4% acima do preço de junho/2017. Para o óleo de soja, o volume vendido no mercado internacional foi 1,8% superior ao de maio, mas 23,6% inferior ao de junho/2017, totalizando 126 mil toneladas. O valor médio obtido com os embarques do óleo em junho, de R$ 2.720,10 por tonelada, foi 1,2% superior ao de maio e 15,1% acima do de junho/2017. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.