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CHARBEL NEWS

Soja

Tendencia de alta da soja e dos derivados no Brasil

13/10/2020 - 9h27

Tendencia de alta da soja e dos derivados no Brasil, pouquíssima  oferta, safra 2020/2021 55% vendida e forte demanda global. Charbel Felipe 

Tendência de alta da soja e dos derivados no Brasil

A tendência é altista para os preços da soja no mercado brasileiro, tanto para esta entressafra como para a temporada 2020/2021, com as cotações futuras em forte escalada e ultrapassando a casa dos US$ 10,50 por bushel para todos vencimentos de curto e médio prazos, dólar sustentado em patamares elevados, 55% da próxima colheita já negociada no Brasil e demanda firme pelos coprodutos (farelo e óleo de soja). Os preços atrativos, a maior liquidez e o baixo risco do cultivo, especialmente quando comparado com outras concorrentes em área, devem elevar em 3,3% a área com soja na temporada 2020/2021, conforme estimativa da nossa Consultoria. A área a ser semeada deve somar 38,15 milhões de hectares, com projeção de produção de 135,7 milhões de toneladas, 8,7% acima da safra anterior. As exportações em 2021 devem somar 86,5 milhões de toneladas, 4,2% a mais que o previsto para a safra 2019/2020.

 

Baseada na possível recuperação na economia nacional em 2020/2021 e na firme demanda de óleo por indústrias de biodiesel, que deve passar de 12% (B12) para 13% (B13), deve haver aumento no consumo doméstico de óleo de soja em 2021, para 8,9 milhões de toneladas, 8% acima deste ano. Os produtores estão avançando com o semeio da nova safra, apostando nas previsões indicando chuvas nos próximos dias. 10% da área a ser cultivada com soja foi semeada no oeste e norte do Paraná. Em Mato Grosso, os trabalhos não chegam a 1% da área estimada, sendo que, no mesmo período do ano passado, 6,6% da área havia sido semeada em Mato Grosso. Os trabalhos se intensificaram nos últimos dias, alcançando 10% da área. As exportações foram expressivas no primeiro semestre e seguem em ritmo forte nesta segunda metade do ano. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, na parcial de 2020 (janeiro a setembro), o Brasil embarcou 79,58 milhões de toneladas de soja em grão, 31% a mais que no mesmo período de 2019, dos quais 72,8% tiveram como destino a China.

 

Para o farelo de soja, as exportações dos primeiros nove meses do ano somam 13,27 milhões de toneladas, 6,8% a mais que em 2019. Para óleo de soja, as vendas estão em menor ritmo que as do grão e do farelo, mas ainda cresceram 2,5% em volume frente a 2019, totalizando 880,2 mil toneladas de janeiro a setembro de 2020. Especificamente para o óleo, chama a atenção que o mercado interno está pagando bem mais que o mercado externo, com um descolamento de preços incomum, superior a 22%. Os preços internos seguem em alta. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta significativa alta de 5%, cotado a R$ 159,88 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra forte avanço de 3,9% nos últimos sete dias, a R$ 154,82 por saca de 60 Kg.

 

O valor médio do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra aumento de 0,4% nos últimos sete dias, indo para R$ 7.061,02 por tonelada. Nos últimos sete dias, os preços de farelo de soja registram alta de 2,8%. Os preços futuros de soja e derivados também seguem em alta na Bolsa de Chicago, impulsionados pela firme demanda externa, especialmente da China. Ressalta-se que os atuais patamares da soja são os maiores desde abril de 2018, início da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. A desvalorização cambial também sustentou aos valores norte-americanos. Na Bolsa de Chicago, o farelo de soja com vencimento em outubro/2020 registra avanço de 4,1% no mesmo período, a US$ 395,95 por tonelada. Quanto ao óleo de soja, a valorização é de 1,8% nos últimos sete dias, subindo para US$ 732,81 por tonelada. Segundo o relatório de acompanhamento de safras do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até o dia 4 de outubro, 38% da área com soja já havia sido colhida, avanço de 18% em uma semana e acima dos 12% do mesmo período de 2019. Fontes de dados e elaboração: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.