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CHARBEL NEWS

Soja

Soja : Tendência de estabilidade no curto e médio prazo

08/01/2018 - 8h53

O cenário de soja para 2018, tem fundamentos positivos.

Ótimo 2018 !!

 

Charbel Felipe 

Tendência de estabilidade no curto e médio prazo

A tendência é de estabilidade das cotações da soja nestes primeiros meses de 2018, com oferta e demanda global ajustadas, fortes exportações brasileiras ao longo de 2017 e também em 2018, preocupações com o clima até o final da colheita nas safras da América do Sul e comércio internacional em expansão. A oferta de soja em grão na safra 2017/2018 pode ficar muito próxima da temporada anterior, enquanto a demanda para esmagamento deve seguir firme e recorde, assim como as ofertas de farelo e óleo. As transações de soja em grão e derivados também devem ser recordes em 2018. Portanto, não é de se esperar grandes alterações nos preços da soja no curto e médio prazo. Somente choques mais expressivos de oferta podem mexer com mais intensidade as cotações ao longo de 2018.

 

Segundo dados do USDA, com áreas recordes cultivadas com soja no Brasil e nos Estados Unidos e crescimento do cultivo na Argentina, China, Paraguai, entre outros, a soja ocupará em 2017/2018 (safra já colhida no Hemisfério Norte) 126,5 milhões de hectares, 5,1% a mais que na temporada anterior. Porém, espera-se que a produtividade se reduza em 5,5%, depois de ter tido crescimento de 12% na temporada anterior. Enquanto o clima foi extremamente favorável na temporada 2016/2017, na atual, o clima oscilou nos Estados Unidos e houve baixa umidade no período de cultivo no Brasil e na Argentina. Entretanto, as chuvas abundantes durante a segunda quinzena de dezembro podem favorecer recuperação das lavouras e resultar em produtividade acima da estimada até o momento. Por enquanto, a estimativa é que a oferta deva ficar 0,8% menor que na temporada passada, em 348,5 milhões de toneladas.

 

O USDA estima produção de 108 milhões de toneladas no Brasil (-5,3%) e de 57 milhões de toneladas na Argentina (-1,3%). Se isso se confirmar, os Estados Unidos seriam os únicos com produção recorde nesta temporada, de 120,4 milhões de toneladas (+3,1%). A demanda por soja para esmagamento segue crescente e deve ter elevação de 4,7%, para 301,6 milhões de toneladas. Na Argentina, o aumento no esmagamento é estimado em 3,5%, para 44,84 milhões de toneladas; nos Estados Unidos, 2,1%, para 52,79 milhões de toneladas, e no Brasil, de 2,7%, para 42 milhões de toneladas. O aumento no processamento é puxado pelas demandas por farelo e óleo de soja. Enquanto as ofertas de farelo e óleo seguem em linha com o esmagamento de soja (4,8% de aumento na produção de farelo – para 237 milhões de toneladas – e de 4,3% na de óleo – para 56,2 milhões de toneladas), a demanda por farelo de soja é estimada pelo USDA em 233,8 milhões de toneladas, 5,2% a mais que na temporada passada.

 

Para o óleo, a demanda é prevista em 56 milhões de toneladas, 4,1% a mais que em 2016/2017. Com demanda crescente por soja e derivados, as transações também seguem em alta. Segundo o USDA, 150,4 milhões de toneladas de soja em grão devem ser transacionadas mundialmente, 4,2% a mais que na temporada 2016/2017. Entre os países que devem aumentar as importações, a China é o principal, com 97 milhões de toneladas (+3,7%), seguida pela União Europeia, com 14 milhões de toneladas (+4,6%), México (+4,2%), Japão (+3,9%), Tailândia (+2,4%) e Egito (+32,4%). Do lado da exportação, estima-se que o Brasil exporte 65,5 milhões de toneladas na temporada 2017/2018, 3,7% a mais que em 2016/17. Para os Estados Unidos, são previstos embarques de 60,6 milhões de toneladas (+2,4%) e, para a Argentina, 8,5 milhões de toneladas (+21%). Diante destes dados, observa-se que a demanda mundial por soja está firme, ainda sustentada por sua efetividade na geração de farelo e óleo. A preferência de produtores em cultivar a soja em detrimento de outros grãos e cereais mantém estável a oferta da oleaginosa na safra 2017/2018.

 

Na Bolsa de Chicago, a média do último mês de 2017 para o contrato Março/2018 foi de US$ 9,86/bushel; Maio/2018 de US$ 9,97/bushel; Julho/2018 de US$ 10,06/bushel; Setembro/2018 de US$ 10,00/bushel; e Novembro/2018 de US$ 9,93/bushel. Para o Brasil, o prêmio de exportação até julho/2018 segue positivo para todos os embarques em negociação. As negociações para embarques de soja pelo Porto de Paranaguá (PR) entre fevereiro/2018 e julho/2018 tiveram médias de US$ 23,02 por saca de 60 Kg e de US$ 23,51 por saca de 60 Kg, respectivamente. O que pode mudar este cenário é o dólar e, por ser um ano eleitoral, é difícil prever uma tendência precisa. As negociações futuras apontam câmbio entre R$ 3,23 e R$ 3,25 para os vencimentos de Fevereiro a Julho de 2018. A antecipação da mistura de 10% de biodiesel (B10) ao diesel mineral, que deverá se iniciar a partir de março/2018, pode favorecer maior esmagamento de soja no mercado doméstico.

 

Vale lembrar que a indústria brasileira de esmagamento de soja opera com ociosidade média de 33% da capacidade instalada. A medida pode elevar a demanda por óleo de soja bruto, exigindo, consequentemente, maior esmagamento de soja. O óleo de soja é a principal matéria-prima utilizada na fabricação de biodiesel, com participação entre 75% e 80%, segundo dados da Abiove. Entretanto, com maior processamento de soja, visando maior oferta de óleo bruto, o desafio das indústrias brasileiras pode ser o de vender o farelo de soja. Com isto, já há algumas indústrias sinalizando o interesse em reduzir ainda mais a exportação do óleo, destinando-o ao mercado interno, podendo, com isso, elevar a participação nos leilões da ANP para oferta biodiesel, sem precisar aumentar o processamento do grão. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.