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CHARBEL NEWS

Soja

Soja : Tendência de sustentação com ameaças climáticas

22/01/2018 - 9h00

O momento pré colheita da soja, traz muitas variávies para os preços, fato bastante normal para a commodities Soja.

Charbel Felipe Silva  

Tendência de sustentação com ameaças climáticas

Com os futuros em Chicago relativamente estáveis entre US$ 9,60 e US$ 9,80 por bushel nos vencimentos de 2018, dólar mais próximo dos R$ 3,20 no Brasil e início da colheita da safra sul-americana, a tendência é de pressão baixista no curto prazo no mercado doméstico. Entretanto, o mercado climático voltou a dar sustentação às cotações, com problemas de faltas de chuvas na Argentina e no extremo Sul do Brasil. O clima na América do Sul voltou a ser o foco das atenções de agentes do mercado de soja. O baixo volume de chuva preocupa os produtores do Rio Grande do Sul e especialmente os da Argentina, onde o cultivo segue para a reta final. Nos demais Estados do Centro-Sul brasileiro são as chuvas em excesso que elevam as atenções.

 

Em várias regiões, os produtores já indicam possível queda na produtividade, devido à umidade excessiva e aos consequentes aparecimento de pragas e doenças e dificuldades de controle fitossanitário. Enquanto isso, segue firme a demanda externa pela oleaginosa brasileira e norte-americana. Nesse cenário, os preços internos estão firmes e os externos, em forte alta. O excesso de chuva preocupa mais os produtores de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Neste último Estado, a colheita segue prejudicada pelas chuvas. No Paraná, 87% da safra está em boas condições e 13%, em condições médias. Ainda não há registros de colheita e há somente 2% da área em fase de maturação. Para Mato Grosso, 3,29% da área foi colhida. O atraso em relação ao ciclo 2016/2017, chega a 8,2%.

 

Segundo o Centro de Previsão de Estudos Climáticos (CPTEC), as chuvas podem dar uma trégua em Goiás e na região norte de Mato Grosso, mas já há previsões de novas precipitações para essa semana. Em São Paulo, as chuvas devem acontecer de formas esparsas, enquanto no Paraná o clima deve seguir chuvoso. Nas Regiões Norte e Nordeste, as recentes precipitações têm beneficiado as lavouras e produtores destas regiões estão com expectativas de safra volumosa. No Rio Grande do Sul, ainda que o baixo volume de chuva preocupe, a previsão é de precipitações nesta semana, período crítico de desenvolvimento dos grãos. As recentes chuvas aliviaram alguns produtores, mas o cenário ainda é preocupante. Do total das lavouras, 30% estão em fase de floração e 10% em fase de formação de grãos.

 

Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta avanço de 0,6%, cotado a R$ 71,95 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 0,3% nos últimos sete dias, a R$ 67,34 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram avanço de 0,2% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 0,3% no mercado de lotes (negociações entre empresas). No mercado de derivados, os preços do farelo de soja apresentam leve alta de 0,1%. Para o óleo de soja, os preços registram baixa de 0,3%, a R$ 2.733,70 por tonelada (em São Paulo com 12% de ICMS).

 

Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja (Março/2018) registra alta de 2,4% nos últimos sete dias, a US$ 9,73 por bushel. Para o farelo de soja, o contrato Março/2018 registra elevação de 3,8% no mesmo comparativo, indo para US$ 362,00 por tonelada. Quanto ao óleo de soja, o contrato de mesmo vencimento registra forte queda de 3,6%, a US$ 710,54 por tonelada. Quanto às exportações, a média diária dos embarques de soja em janeiro já está 86% superior à do mesmo mês de 2017. Esse volume embarcado se refere a negociações realizadas anteriormente e, atualmente, poucos volumes têm sido comercializados para entrega no spot, quando acontecem, são para completar cargas. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.