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CHARBEL NEWS

Soja

SOJA : Tendência de alta de preços com demanda forte

18/02/2018 - 19h57

Início da colheita da soja no Brasil , com alta na bolsa de Chicago, quebras na safra Argentina e forte demanda global e interna, faz subir os preços.

Charbel Felipe Silva 

Tendência de alta dos preços com demanda forte

A tendência é altista para os preços da soja no mercado brasileiro, diante da alta dos futuros em Chicago para patamares acima dos US$ 10 por bushel para todos vencimentos de 2018, prêmios positivos nos portos brasileiros em plena colheita da safra 2017/2018, quebras confirmadas na safra da Argentina e demanda global e doméstica forte. Diante da baixa disponibilidade de soja em grão no Brasil e do menor processamento da oleaginosa na Argentina, a demanda por farelo de soja se sobrepôs à oferta na primeira quinzena de fevereiro. Com isso, os valores desse derivado subiram com força nos Estados Unidos e no Brasil, principais concorrentes da Argentina nas exportações do farelo. Os preços do grão, por sua vez, também foram impulsionados nos mercados norte-americano e brasileiro. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Março/2018) do farelo de soja registra alta significativa de 10,6% na primeira quinzena do mês, para US$ 411,93 por tonelada, o maior patamar diário desde o dia 15 de julho de 2016, em termos nominais.

 

Considerando-se o primeiro vencimento na Bolsa de Chicago, a contribuição do farelo na margem de lucro das indústrias está em 70,8%, a maior desde julho de 2017, enquanto a do óleo de soja está em 29,2%, resultando em receita total de 21,4%. No Brasil, os preços do farelo de soja atingiram os maiores patamares desde 2016 em grande parte das regiões. Na média, a alta foi de 8,0% na primeira quinzena deste mês. Na parcial deste mês de fevereiro, o preço FOB em dólar do farelo de soja registra expressiva alta de 13,9%, com sustentação vindo tanto dos maiores valores da Bolsa de Chicago quanto dos prêmios de exportação. Para embarques no primeiro semestre de 2018, os valores FOB podem ceder com a entrada da nova safra. Para embarque do farelo em março/2018, o valor médio está em R$ 1.275,71 por tonelada. Para embarque em junho/2018, o valor médio está em R$ 1.235,45 por tonelada. A média diária das exportações de farelo no início de fevereiro está 58,1% superior à de fevereiro/2017 e 21,0% acima da média diária de janeiro/2018.

 

Para o óleo de soja, os embarques diários deste mês de fevereiro atingiram o maior volume desde outubro/2017. Além disso, as exportações de óleo de soja na parcial de fevereiro já estão 70% acima de toda a quantidade embarcada em janeiro/2018 e 13,9% superior à de fevereiro/2017. Quando considerados apenas os meses de fevereiro, na parcial deste mês, o Brasil já embarcou o maior volume desde 2015. Os embarques de soja estiveram baixos nos primeiros dias de fevereiro, mas voltaram a ganhar força nos últimos dias. Além da firme demanda externa, a procura doméstica por farelo de soja também tem se aquecido, visto que os estoques de suinocultores e avicultores estão reduzidos. As recentes chuvas no Brasil, no entanto, têm interrompido a colheita de soja, a qual segue lenta no País, resultando em atraso no cumprimento de contratos e em menor disponibilidade interna de soja e derivados.

 

As expectativas são de baixa produtividade na região sul do Rio Grande do Sul, devido à baixa umidade no período de desenvolvimento do grão. Mesmo com as recentes chuvas no sul da Argentina, o déficit hídrico ainda preocupa. 56% das lavouras da Argentina estão entre condições regulares e ruins, com produção estimada em apenas 50 milhões de toneladas na temporada 2017/2018. Além da firme demanda e irregularidades climáticas, os preços de soja têm sido influenciados pela retração de vendedores, que aguardam melhores oportunidades de vendas. A desaceleração cambial também reduziu a liquidez interna. Na primeira quinzena do mês, a moeda norte-americana se valorizou 1,6%, atingindo R$ 3,23 no dia 15 de fevereiro. Nesse cenário, na primeira quinzena de fevereiro, as cotações da oleaginosa registram avanço de 3,3% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 2,8% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Os preços do óleo de soja registram alta de 1,8% em São Paulo com 12% de ICMS, cotado a R$ 2.703,49 por tonelada.

 

Na parcial deste mês de fevereiro, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 4,0%, cotado a R$ 74,63 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 3,4% na parcial deste mês de fevereiro, cotado a R$ 69,22 por saca de 60 Kg. Os valores FOB Porto de Paranaguá (PR) para a soja em grão, por sua vez, indicam aumento de 2,5% para março (R$ 76,18 por saca de 60 Kg) e para junho (R$ 78,05 por saca de 60 Kg). Com isso, já há ofertas de venda no Porto de Paranaguá a R$ 78,00 por saca de 60 Kg para entrega em maio/2018, enquanto os compradores estão resistentes nos R$ 75,00 por saca de 60 Kg. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja grão (Março/2018) registra alta de 2,3% na parcial de fevereiro. Para o óleo de soja, o contrato de mesmo vencimento apresenta recuo de 4,1%, cotado a US$ 698,86 por tonelada. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.