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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência de alta para a soja com demanda forte

19/03/2018 - 11h15

Quebra da safra Argentina de soja , mantém o mercado muito firme, por sua  importância  como maior exportador  de farelo e óleo do mundo.

Charbel Felipe Silva 

Tendência de alta para a soja com demanda forte

A tendência é altista para os preços da soja no mercado brasileiro, diante da alta dos futuros em Chicago para patamares acima dos US$ 10,50 por bushel para todos vencimentos de 2018, prêmios positivos nos portos brasileiros em plena colheita da safra 2017/2018, quebras expressivas na safra da Argentina e demanda global e interna fortes. A Argentina é o terceiro maior exportador mundial de soja em grãos. Mas a sua importância fica mais evidente, quando se trata de derivados – farelo e óleo de soja. O vizinho do Mercosul é o maior exportador de farelo e de óleo de soja do planeta, respondendo por cerca de metade de todas exportações. No acumulado dos últimos trintas dias, os preços de farelo de soja apresentam avanço de 15,6% no atacado em São Paulo. A cotação para embarque da soja nos portos de Paranaguá e Rio Grande, na modalidade spot (pronta entrega), apresenta avanço de 10,4% neste mesmo período.

 

No curto prazo, a maior oferta nacional, dificuldades logísticas e a queda nos preços externos interromperam o movimento de alta nos valores internos do complexo soja. A firme demanda externa, no entanto, limitou a queda nas cotações. Nos primeiros sete dias úteis de março, o volume de soja em grão exportado pelo Brasil já supera em 20% o volume de todo o mês de fevereiro. Agora, os produtores brasileiros têm ofertado maiores lotes, no intuito de fazer caixa para pagamento de contas de final de mês. Ao mesmo tempo, cerealistas e cooperativas indicam necessidade de liberar espaço em armazéns, devido à entrada da nova safra. Os compradores, por sua vez, demonstram interesse em receber novos lotes a partir de abril, visto que ainda estão recebendo soja de contratos a termo. Além disso, os valores de fretes estão elevados, devido à menor disponibilidade de caminhões. Parte de tradings reduziu as compras, em decorrência da dificuldade em levar o grão para o porto. Chuvas no início da semana passada interromperam os carregamentos e atrasaram o escoamento.

 

Quanto às vendas externas, nos primeiros sete dias de março, o Brasil embarcou 3,4 milhões de toneladas de soja em grão, 19,6% a mais que o exportado em todo o mês de fevereiro. A média diária de embarque neste mês está 25,4% superior à de março/2017, quando o Brasil exportou volume recorde para o período. No primeiro bimestre, do total exportado, 78,7% tiveram como destino a China. Nos Estados Unidos, embora as vendas externas tenham recuado entre as duas últimas semanas, foram maiores que as do mesmo período do ano passado, cenário que limitou o movimento de baixa nos preços internacionais. No campo brasileiro, o clima está favorável ao desenvolvimento e à colheita brasileira da soja atinge 59% da área plantada. No Rio Grande do Sul, a colheita atingiu 3% da área, com produtividade dentro da esperada, em áreas não atingidas pela estiagem, o rendimento ultrapassa 4.200 quilos por hectare. A cultura está evoluindo rapidamente para o estágio de maturação.

 

Na Argentina, a colheita se iniciou, mas o clima segue irregular. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 2% da área foi colhida e os rendimentos são variados. A colheita deve ser intensificada nas próximas semanas, permitindo a confirmação das expectativas de baixa produtividade. A produção ainda é estimada em 42 milhões de toneladas. O Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, está cotado a R$ 79,36 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ é de R$ 73,78 por saca de 60 Kg. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.