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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência é de alta dos preços da soja no Brasil

06/05/2018 - 18h23

Os preços da soja continuam em alta,  com a forte elevação do dólar no Brasil,  quebra da safra Argentina e prêmios positivos  nos portos.Charbel Felipe Silva 

Tendência é de alta dos preços da soja no Brasil

Com a forte alta do dólar no Brasil, que eleva a paridade de exportação, prêmios positivos nos portos brasileiros e a forte quebra na safra da Argentina, o terceiro maior produtor global do grão e o maior exportador de farelo e óleo, a tendência é altista para os preços da soja no mercado brasileiro. Os valores do farelo de soja seguem em forte ritmo de alta no Brasil, impulsionados pela demanda externa, pela alta do dólar frente ao Real – que eleva a competitividade do derivado nacional. A elevação nos preços do derivado, por sua vez, tem resultado em alta nos valores da soja em grão. Nos últimos sete dias, as cotações do farelo de soja registram alta de 4,7%. A média de abril foi 5,9% maior que a de março e expressivos 45% superior à de abril/2017, em termos nominais. Vale considerar, por outro lado, que a desaceleração no mercado doméstico de aves pode reduzir a demanda por farelo de soja nos próximos meses.

 

Com as recentes altas nos preços do derivado, o poder de compra do avicultor em São Paulo frente a esse insumo é o mais baixo desde agosto/2012. O Brasil exportou 1,55 milhão de toneladas de farelo de soja em abril, o maior volume dos últimos onze meses e um recorde quando considerado apenas os meses de abril. Esta quantidade representa aumento de 17,3% em relação às vendas de março e de 16,9% frente ao embarcado em abril de 2017. O valor médio das vendas externas foi de R$ 1.348,32 por tonelada, 7,4% maior que o de março e 21,4% acima do verificado no mesmo período do ano passado, considerando-se o dólar de R$ 3,40 na média de abril. As exportações de óleo de soja também estão firmes e foram as maiores desde junho de 2017, totalizando 164,44 mil toneladas em abril, 55,5% acima do embarcado no mês anterior, mas 2,4% inferior ao de abril/2017. O valor médio obtido pelas vendas externas do óleo foi 3,19% acima do mês passado e 8,09% superior ao de abril/2017, com média de R$ 2.534,35 por tonelada, a maior desde janeiro/2017.

 

Quanto à soja em grão, o Brasil embarcou 10,25 milhões de toneladas em abril, 16,4% acima do exportado no mês passado, mas 1,7% inferior ao volume enviado ao exterior no mesmo período de 2017. O preço médio das vendas de soja foi o maior desde dezembro/2016, a R$ 81,98 por saca de 60 Kg. Este valor é 7,0% maior que o de março e 15% superior ao obtido em abril/2017. No mercado brasileiro, nos últimos sete dias, as cotações da soja em grão no mercado de balcão (preço pago ao produtor) registram alta de 0,9%. No mês de abril, a alta foi de 7,2%. No mercado de lotes (negociações entre empresas), o avanço é de 0,7% nos últimos sete dias e 7,8% no mês de abril. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta leve recuo de 0,7%, cotado a R$ 86,60 por saca de 60 Kg.

 

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 0,4% nos últimos sete dias, a R$ 81,10 por saca de 60 Kg. A paridade de exportação indica preços acima de R$ 90,00 por saca de 60 Kg para entrega em julho. Diante disso, uma grande parcela de produtores se retraiu nas vendas envolvendo grandes lotes, na expectativa de melhor remuneração nos meses seguintes. Para o óleo de soja, a alta nos valores foi limitada pela baixa demanda interna, cenário que ainda mantém a disparidade entre os valores de compradores e vendedores. O preço do óleo de soja (em São Paulo com 12% de ICMS) é de R$ 2.718,77 por tonelada, elevações de 0,8% nos últimos sete dias, de 2,0% entre março e abril e de 11,2% em um ano. O aumento nos preços domésticos do complexo soja, por outro lado, foi limitado pela desaceleração nos prêmios de exportação.

 

O prêmio de exportação de soja grão no Porto de Paranaguá, para embarque em maio/2018, teve comprador a +US$ 0,86 por bushel. Na semana anterior, havia comprador a US$ 1,15 por bushel. Nos Estados Unidos, embora o frio intenso preocupe os produtores, o semeio iniciou, com 5% da área coberta, dentro da média dos últimos cinco anos, mas abaixo dos 9% do implantado no mesmo período da temporada passada. Na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/2018 do farelo de soja registra forte alta de 5,1% nos últimos sete dias, a US$ 439,16 por tonelada. No dia 1º de maio, este contrato teve fechamento a US$ 444,23 por tonelada, o maior valor desde 1º de julho de 2016. Para a soja, o primeiro vencimento (Maio/2018) registra alta de 1,5% nos últimos sete dias, a US$ 10,43 por bushel. No mesmo comparativo, o contrato de mesmo vencimento do óleo de soja se desvalorizou 0,7%, a US$ 674,17 por tonelada. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.