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CHARBEL NEWS

Soja

Tendência de alta da soja com escalada do dólar

21/05/2018 - 10h34

O complexo soja, teve um ingrediente a mais nas altas de preços, os recentes aumentos do dólar. Charbel Felipe Silva 

Tendência de alta da soja com escalada do dólar

A tendência é altista para os preços da soja no mercado brasileiro. As cotações futuras em Chicago estão sofrendo certa pressão baixista, mas seguem ao redor dos US$ 10 por bushel para todos vencimentos de 2018. Os prêmios nos portos brasileiros compensam as pressões baixistas sobre os futuros em Chicago, provocadas pela disputa comercial entre Estados Unidos e China. A disputa comercial entre China e Estados Unidos e as quebras na Argentina geram maior demanda por soja grãos e por farelo de soja do Brasil. A quebra expressiva de 35% da safra da Argentina, que é o 3º maior produtor global e o maior exportador mundial de farelo e óleo de soja, eleva a demanda pelo produto brasileiro. Em abril, houve aumento de 16,9% das exportações brasileiras de farelo de soja, em função da quebra da safra argentina. A projeção é de redução de 2,5% na produção de soja dos Estados Unidos na próxima safra 2018/2019, em fase de plantio. Além disso, a forte alta do dólar no Brasil, que já se aproxima do patamar de R$ 3,80, eleva a paridade de exportação nos portos brasileiros.

 

No fechamento da sexta-feira (18/05), o dólar avançou 1,04%, para R$ 3,7396, maior patamar desde março de 2016. Na última semana, o dólar acumulou alta de 3,85% no Brasil. Em 2018, o dólar acumula uma alta de 16,5%. A forte alta do dólar gera expectativa de elevação dos preços da soja no Brasil, tendo em vista que o câmbio elevado favorece as exportações. No entanto, as quedas nos valores do grão na Bolsa de Chicago e dos prêmios de exportação brasileiros impediram maior valorização da oleaginosa no mercado doméstico. Com isso, os vendedores optaram por não negociar a preços menores, reduzindo a liquidez interna. O prêmio de exportação de soja no Porto de Paranaguá, para embarque em maio/2018 está cotado em +US$ 0,64 por bushel. Na semana anterior, estava em +US$ 0,85 por bushel. Com isso, o preço FOB da soja, em dólares, registra recuo de 4,9% nos últimos sete dias, para US$ 387,94 por tonelada. Para o farelo de soja, a queda é de 3,1% e, para o óleo, de 3,0%, no mesmo comparativo.

 

Nesta linha, nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta leve alta de 0,5%, cotado a R$ 85,82 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra leve alta de 0,4% nos últimos sete dias, a R$ 80,29 por saca de 60 Kg. Os produtores brasileiros seguem reticentes para novos fechamentos para entrega no mercado spot, uma vez que têm expectativas de valores maiores no segundo semestre. Esses vendedores têm fixado preços para o grão da próxima safra, com entrega de fevereiro a março de 2019. Para fevereiro/2019, as negociações têm ocorrido na média de R$ 85,00 por saca de 60 Kg, posto no Porto de Paranaguá e de R$ 81,00 por saca de 60 Kg nas demais regiões do Paraná. Os agentes voltam as atenções, também, à nova redução na safra 2017/2018 da Argentina, que agora está estimada em 36 milhões de toneladas.

 

A oferta do grão foi reduzida em 2 milhões de toneladas, tornando-se a menor produção desde a temporada 2008/2009. Além do clima desfavorável no período de desenvolvimento da safra, nas últimas semanas, a colheita foi interrompida pelo excesso de umidade. Nos últimos dias, os produtores argentinos retomaram a colheita, confirmando a menor produtividade. Até o dia 17 de maio, 71,1% da área havia sido colhida. Vale lembrar que a menor produção na Argentina resulta em forte impacto nas comercializações de farelo e de óleo de soja no Brasil, uma vez que indústrias seguem disputando maior fatia na comercialização internacional desses produtos. Com maior demanda, os valores destes derivados subiram no Brasil. Nos últimos sete dias, os preços de farelo de soja apresentam alta de 1,1%. Para o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), a alta é de 0,2% no mesmo período, a R$ 2.720,13 por tonelada. Apesar da queda nos prêmios de exportação, os embarques do complexo de soja seguem aquecidos, cenário que, inclusive, limitou a queda do grão e sustentou os valores dos derivados.

 

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a média diária de embarques de soja em grão em maio está 36,6% acima da de abril e 34,0% maior que a média de maio/2017. Para o farelo, o aumento é de 5,4% sobre abril e de 5,2% sobre maio/2017. Os embarques de óleo também seguem crescentes, em 28,2% sobre o mês passado e 96,1% acima da média de maio/2017. Quanto à comercialização dos Estados Unidos, seguem as incertezas para os próximos meses, devido ao desacordo comercial entre o país e a China. Este cenário está pressionando os valores do grão na Bolsa de Chicago, que ficaram levemente abaixo dos US$ 10,00 por bushel. Além disso, o clima segue favorável às lavouras norte-americanas. Segundo o relatório de acompanhamento de safras do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até o dia 13 de maio, 35% da área reservada para a soja já havia sido semeada, significativo avanço de 20% em apenas uma semana. No mesmo período do ano passado, 29% da área havia semeada e, na média dos últimos cinco anos, 26%. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.