ESPECIALISTA EM COMMODITIES
DESDE 1989

Atendimento

33 3331 1000

CHARBEL NEWS

Soja

As boas exportações da soja continuam sustentando os preços

08/09/2018 - 19h10

As boas exportações da soja continuam sustentando os preços e até subindo um pouco. A tendência até janeiro é de menor oferta de óleo por conta da entressafra e período de manutenção das industrias. Charbel Felipe Silva

Tendência de preços sustentados por exportações

Com o dólar em patamares elevados e o forte movimento de exportações entre janeiro e agosto, a tendência é de sustentação dos preços da soja e derivados no mercado brasileiro. Os prêmios voltaram a subir nos últimos dias e a oferta interna está cada vez mais escassa. As negociações envolvendo soja em grão e derivados estão lentas no mercado doméstico. Atentos ao menor excedente interno, os produtores estão retraídos para a venda do grão remanescente da safra 2017/2018 e ainda mais cautelosos nas comercializações da temporada 2018/2019. Essa retração vendedora foi intensificada após a divulgação da nova tabela de frete mínimo pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), no dia 5 de setembro. Houve reajuste médio de 5%, depois da alta de 13% no preço do óleo diesel anunciada na semana anterior.

 

Por outro lado, os negócios para exportação estão em ritmo mais intenso. As tradings adquirem, ainda que pontualmente, volumes para completar cargas nos portos brasileiros. Esse cenário, somado ao câmbio elevado, está sustentando os valores domésticos, que seguem nos maiores patamares desde julho/2016, em termos reais (IGP-DI, agosto/2018). Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta avanço de 1,9%, cotado a R$ 93,83 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra alta de 1,9% nos últimos sete dias, a R$ 87,19 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, a alta é de 1,8% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,4% no mercado de lotes (negociações entre empresas). A retração de vendedores no Brasil também elevou os valores de contratos a termo.

 

Nos últimos sete dias, os negócios com entrega para outubro registram média de R$ 96,00 por saca de 60 Kg. Para novembro, a média é de R$ 95,00 por saca de 60 Kg e, para março/2019, de R$ 87,00 por saca de 60 Kg. A liquidez no mercado de derivados de soja está lenta, visto que os compradores se mostram abastecidos. Aqueles com necessidade imediata adquirem apenas pequenos volumes. Nos últimos sete dias, os preços de farelo de soja apresentam valorização de 1,1%. Para o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), por outro lado, os preços registram recuo de 0,2% no mesmo período, a R$ 2.806,50 por tonelada. No campo, as atenções de agentes já se voltam ao clima para o semeio da nova safra (2018/2019). Vale lembrar que produtores do Paraná já estarão liberados para iniciar o semeio a partir desta segunda-feira (10/09), e os de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rondônia, a partir do dia 15 de setembro.

 

A expectativa é de solo úmido neste período, o que deve fazer com que muitos produtores já iniciem o cultivo assim que o vazio sanitário for encerrado. No mercado internacional, mesmo com a proximidade da entrada da safra norte-americana, nos próximos dias, os preços seguem praticamente estáveis nos Estados Unidos, sustentados pela maior demanda externa. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja (Setembro/2018) registra alta de 0,7% nos últimos sete dias, cotado a US$ 8,25 por bushel. O contrato Setembro/2018 do farelo de soja tem valorização de 1,6% no mesmo período, cotado a US$ 337,52 por tonelada. No mesmo comparativo, o contrato Setembro/2018 do óleo de soja apresenta desvalorização de 0,4%, a US$ 621,26 por tonelada. O Brasil exportou 8,120 milhões de toneladas de soja em grão no mês de agosto, recorde para o período. Desse total, 85% teve como destino a China.

 

O preço médio recebido pelas vendas externas do grão foi de R$ 93,29 por saca de 60 Kg em agosto, 1,73% acima do preço de julho e 31,4% superior ao de agosto/2017. De janeiro a agosto, as exportações brasileiras somam 64,6 milhões de toneladas, contra 56,8 milhões de toneladas no mesmo período de 2017. Para a China, foram embarcadas 50,8 milhões de toneladas de soja em grão em 2018, contra 53,8 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. As exportações firmes diminuíram a oferta do grão no mercado interno e dificultaram as aquisições da matéria-prima por parte das indústrias nacionais que, consequentemente, passaram a ofertar menores lotes de derivados. Ainda assim, as exportações de farelo e de óleo de soja estão elevadas neste ano.

 

De janeiro a agosto, o Brasil enviou ao exterior 11,76 milhões de toneladas de farelo de soja, 18% a mais que no mesmo período de 2017. Entre os principais compradores deste ano estão a Holanda, a Tailândia e a Coreia do Sul. Em agosto, as vendas externas somaram 1,46 milhão de toneladas, 15% inferiores às de julho/2018, mas 19% superiores às vendas de agosto/2017. De óleo de soja, embora o volume seja menos significativo, as vendas externas voltaram a ganhar força, mesmo com a maior demanda pelo segmento de biodiesel no Brasil. Na parcial de 2018, as exportações de óleo de soja somam 1,11 milhão de toneladas, 14% superior ao volume de janeiro a agosto de 2017. A Índia é a principal compradora de óleo de soja do Brasil, sendo destino de 57,7% de todo volume embarcado pelo Brasil neste ano. China e Bangladesh também se configuram como principais destinos. Em agosto, o Brasil embarcou 209,26 mil toneladas, 0,8% abaixo do mês anterior, mas 43,4% acima da quantidade de agosto/2017. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.