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CHARBEL NEWS

Soja

O cenário da Soja é de preços firmes

08/10/2018 - 9h44

O cenário da soja é de preços firmes para o final de 2018 e 2019, sustentado pelo mercado internacional e no Brasil pela entressafra. Charbel Felipe 

Tendência é de preços firmes para a soja em 2019

No mercado internacional, a tendência segue baixista no curto prazo para a soja, com a previsão de safra recorde nos Estados Unidos e queda das importações da China, mas o viés é de alta no longo prazo, com a projeção de recuo na área de plantio norte-americana na temporada 2019/2020. Enquanto as cotações futuras em Chicago acumulam retração de 12% em 2018, os prêmios nos portos brasileiros registram alta de 220% e o dólar, de 25%, o que resulta na alta de 30% do preço ao produtor no Brasil. A tendência é de sustentação dos preços internos da soja em níveis elevados em 2019, com prêmios ainda altos nos portos brasileiros e indicativos de redução moderada da taxa de câmbio após o resultado das eleições no Brasil. Os produtores brasileiros voltam as atenções ao cultivo da safra 2018/2019, que está evoluindo bem na maioria das regiões. Apenas em algumas localidades que chuvas frequentes impedem o avanço ainda mais expressivo no cultivo.

 

No geral, tanto o plantio quanto as vendas antecipadas estão mais adiantadas que em anos anteriores. Em 2017, a baixa umidade dificultou as atividades de campo. A área plantada atinge 10% em 2018. Em Mato Grosso, 28,1% da safra 2018/2019 já foi negociada, contra 16,7% no mesmo período do ano passado. No Paraná, até o final de setembro, as vendas antecipadas somavam 15% da produção esperada, contra 8% no mesmo período de 2017. As negociações estão mais adiantadas que na safra passada, mas, nos últimos sete dias, especificamente, estão travadas tanto no mercado spot quanto para contratos, devido à desvalorização do dólar. No spot, os compradores estão retraídos, à espera de redução de preços, principalmente devido à diminuição das margens de esmagamento. Do lado vendedor, os baixos estoques e o plantio da nova safra também afastam esses agentes do mercado.

 

Considerando-se os valores FOB de soja, farelo e óleo de soja no Porto de Paranaguá (PR), as indústrias estão trabalhando com margem negativa desde a segunda quinzena de setembro. Com isso, muitas preferem reduzir o processamento ao invés de comprar o grão nos atuais preços. Há fábricas sem estoques de derivados, especialmente de óleo e, ainda assim, muitas devem voltar a processar o grão só na entrada da safra 2018/2019. Além da demanda interna aquecida para a produção de biodiesel, as exportações de óleo de soja também estão intensas neste ano. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em setembro, os embarques somaram 84,59 mil toneladas, 59,6% abaixo dos de agosto, entretanto, mais de 8 vezes que o volume embarcado em setembro de 2017. Na parcial de 2018, as vendas externas de óleo de soja somam 1,2 milhão de toneladas, 21,5% a mais que no mesmo período de 2017.

 

Quanto ao farelo de soja, os embarques somaram 1,28 milhão de toneladas em setembro, 11,8% inferior ao de agosto, mas 10,8% acima de setembro/2017. Na parcial do ano (até setembro), as vendas externas somam 13,05 milhões de toneladas, 17% superiores às do mesmo período de 2017. As exportações de soja em grão somaram 4,6 milhões de toneladas em setembro, queda de 43,3% frente a agosto, mas o maior volume para um mês de setembro. Na parcial do ano, o País já embarcou 69,2 milhões de toneladas, 13,1% a mais que o mesmo período de 2017. O principal comprador de soja em grão do Brasil segue sendo a China. Os embarques aquecidos são resultado do dólar elevado, da disputa comercial entre China e Estados Unidos e da menor oferta na Argentina. Nos últimos sete dias, a moeda norte-americana se enfraqueceu, cenário que pressionou os valores do complexo soja no Brasil. No entanto, os compradores indicam que os patamares ainda são elevados.

 

Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,2%, cotado a R$ 94,72 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 1,9% nos últimos sete dias, a R$ 87,51 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da oleaginosa registram recuo de 1,4% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,6% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Nos últimos sete dias, os preços de farelo de soja apresentam queda de 1,6%. Para o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), por outro lado, o preço acumula valorização de 2,1% no mesmo comparativo, a R$ 2.908,23 por tonelada. Nos Estados Unidos, o foco é a colheita, mas as chuvas contínuas têm interrompido os trabalhos. Ainda assim, 23% da área havia sido colhida até o último final de semana, 3% a mais que no mesmo período do ano passado. Em relação à qualidade do grão que ainda está na lavoura, 68% estão em condições boas e excelentes, 22%, em médias e 10%, ruins, estável no comparativo com a semana anterior.

 

Com isso, os preços futuros na Bolsa de Chicago estão em alta. Além das recentes chuvas, o impulso veio da assinatura do acordo entre Estados Unidos, Canadá e México sobre o livre comércio na América do Norte. Para os produtores norte-americanos, esse acordo sinaliza que as disputas com a China e a União Europeia possam, também, ser resolvidas. O primeiro vencimento da soja (Novembro/2018) apresenta alta de 0,5% nos últimos sete dias, cotado a US$ 8,59 por bushel. O contrato Outubro/2018 do farelo de soja registra valorização de 0,1% no mesmo período, a US$ 339,95 por tonelada. Em relação ao contrato de mesmo vencimento do óleo de soja, a alta é de 1,5% nos últimos sete dias, a US$ 645,51 por tonelada. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.